Os brasileiros hoje

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O brasileiro não age como pensa. Ele se preocupa com o coletivo, mas, nos assuntos que afetam a sua rotina, revela-se um individualista. Não consegue chegar a um consenso sobre os principais problemas do País e tem a música, e não o futebol, como o seu maior orgulho. Estas são algumas conclusões da pesquisa Listening Post, que em sua edição 2005 recebeu o título “O Umbigo Nacional. Pensando no Coletivo. Agindo no Individual. Os Brasileiros Hoje”.

O Listening Post é um “posto de escuta” da sociedade idealizado pela Ogilvy Brasil para mapear o comportamento do brasileiro. As primeiras edições da pesquisa foram realizadas entre 1977 e 1997. Depois de um intervalo de quase uma década, O Listening Post agora volta para orientar tanto o trabalho realizado para os clientes da Ogilvy quanto a pauta da discussão pública dos temas que afetam a vida nacional.

Nesta edição, usou-se uma técnica inteligente de análise dos dados. As informações foram interpretadas por um grupo formado por especialistas em planejamento e criação da Ogilvy Brasil e profissionais ligados às áreas de sociologia, filosofia e renomados observadores da cultura brasileira. Foram analisadas as respostas de 450 homens e 450 mulheres, entrevistados entre os últimos dias 31 de agosto e 6 de setembro, em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Recife, Salvador, Curitiba e Porto Alegre.

Com duração de aproximadamente 30 minutos, cada entrevista foi orientada por meio de um questionário aplicado individual e pessoalmente. A amostra foi distribuída de forma proporcional ao universo populacional das classes sociais, sendo 30,3% A/B, 31,7% C e 38% D/E. Quanto à faixa etária, 25% possuem entre 18 e 25 anos, 25,5% entre 26 e 35 anos, 24,8% entre 36 e 45 anos e 24,7% acima de 46 anos de idade.

“Ouvimos a sociedade e identificamos de que maneira o comportamento individualista do brasileiro, que já é conhecido por todos nós, se manifesta com mais ênfase”, conta Aloísio Pinto, diretor de planejamento da Ogilvy Brasil. As respostas apresentadas refletem o turbilhão de mudanças provocadas pela economia, globalização e pelos avanços da tecnologia.

Inúmeras transformações nos mais diversos setores foram citadas (positivas e negativas), mostrando que o brasileiro não consegue chegar a um consenso sobre as mais importantes mudanças do País nos últimos anos. A exposição da corrupção na política compôs 55% das respostas, e os acontecimentos de cunho social, por exemplo, são citados por 41% da amostra. O grande destaque, nesse último tema, ficou para a violência (17%), seguida pelo desemprego (13%).

Já a área econômica é citada por 30% dos entrevistados. Opiniões fragmentadas e contrastantes colocam lado a lado ações positivas, como o controle da inflação (5%), aumento das exportações (4%) e preços menores (3%), e negativas, como a estagnação dos salários (5%) e a crescente desigualdade social (3%). O esporte ganhou 19% das citações, com destaque para conquista do penta (12%). A área educacional foi lembrada por 12% da amostra, seguida do setor de saúde (9%) e cultura (3%).