Os cinco desejos fundamentais do ser humano

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Autor: Orlando Oda
O que motiva uma pessoa a agir? Voce sabe estimular uma pessoa a agir? O que mais estimula uma pessoa a agir? Sem uma resposta correta para estes questionamentos não conseguimos tomar as medidas necessárias para motivar os filhos nem as pessoas no ambiente corporativo.
Se a necessidade for física, podemos estimular por meios materiais. Por exemplo, oferecendo comida, roupa, dinheiro, etc. Mas há uma limitação. Exemplo: estimular uma criança oferecendo balas doces, depois de certa quantidade, não faz efeito. Os estímulos irão diminuir à medida que as necessidades forem sendo satisfeitas. 
Se no plano físico a questão é complicada, as necessidades emocionais são muito mais complexas e não podem ser estimuladas materialmente. Uma carência emocional dificilmente pode ser recompensada materialmente e se for será por muito pouco tempo.  A necessidade “não física” requer o remédio do estímulo “não material”.
Anos atrás li o livro “Educação da Vida”, do professor Massaharu Taniguchi, que trata da educação infantil. As crianças, excetuando as que vivem na zona da pobreza, não sentem as necessidades fisiológicas. Desta forma, o objetivo do livro é extrair o potencial de uma criança por meio de estímulos “não físicos”, por meio de palavras.
Diz no seu livro: “O ser humano possui cinco desejos fundamentais: ser reconhecido, amado, elogiado, livre e útil. Quando esses desejos são satisfeitos, o homem encontra a razão de viver”. As crianças e os adultos têm arraigado no seu íntimo estes cinco desejos e querem ser reconhecidos, amados, elogiados e respeitados.
Afirma o Prof. Taniguchi: “Todos possuem no íntimo o desejo de serem reconhecidos, principalmente pelas pessoas que amam e respeitam. No íntimo queremos ser reconhecidos pelos pais, professores e superiores. Aquele que é líder deve levar em conta a existência desses desejos em cada um de seus subordinados.”
 
Mesmo pessoas famosas com cabelos grisalhos ficam cheias de alegria quando recebem medalhas. Nas crianças, o desejo de ser reconhecido é ainda maior. Se perguntar responderá: “Quero ser elogiado pelos meus pais ou professor”. O elogio faz sentir-se amado, ser alguém e, consequentemente, passa a se dedicar mais aos estudos.
Uma criança, mesmo muito pequena, quer fazer alguma coisa para ser útil. É comum querer ajudar a mãe na cozinha. Se nessa hora a mãe falar: “Saia daí, vai para lá” como estivesse dizendo: “Está me atrapalhando”, o desejo da criança é despedaçado. O desejo de ajudar a mãe não se concretiza, gera a insatisfação, tristeza e revolta.
Mesmo que a manifestação da criança seja um estorvo, a mãe deve agradecer e demonstrar contentamento dizendo: “Você é muito prestativa. Ajude-me a fazer isso”, e diz para fazer outra coisa que não a faça atrapalhar. É muito importante não desestimular o desejo de ser útil. Deve estimular por meio de elogio e contentamento.
O desejo de amar é o sentimento de se unir, ligar ao outro. É o “desejo de não ser rejeitado”, de “ser alguém” de fazer parte do grupo. O inverso, o ódio é brigar, afastar, rejeitar e ignorar o outro. Estudamos ou trabalhamos com satisfação quando estamos unidos. Fazer parte do grupo é a forma de se sentir amado, “de ser alguém”.
Quando estava no primário e minha mãe dizia: “Massaharu, estude”. Perdia a vontade de estudar.  Quando uma mãe diz: “Estude, estude” como que amarrando, sente-se preso e se rebela. O ser humano tem a necessidade de ser livre. Os pais e líderes devem considerar este desejo íntimo do ser humano antes de fazer as cobranças.
A fórmula para desenvolver a capacidade é amar, reconhecer, elogiar, confiar e deixar livre. Repreender pensando: “Quero que melhore”. A intenção é boa, mas não traz benefício porque, para justificar a repreensão, se aponta os pontos negativos. Educar é fazer exteriorizar a parte boa da criança. A forma de extrair a parte boa é elogiar os pontos positivos, fazê-la sentir amada e respeitada.
Os desejos íntimos tanto de uma criança ou de um adulto são iguais. Temos a necessidade de ser amado, reconhecido (ser alguém), sentir útil. A única forma de percebermos é sendo reconhecido por meios de elogios ou vendo o contentamento. Melhor ainda se for reconhecimento formal com cerimônia de entrega de prêmio.
Os líderes e gestores de empresas devem demonstrar o amor, reconhecimento por meio de elogio, confiar e deixar livre para extrair a capacidade dos seus subordinados. A força motivadora está no poder da palavra que utiliza. A forma mais eficiente de motivar uma pessoa é o elogio e o reconhecimento. É a ignição necessária para motivar uma pessoa a agir de forma a expressar a plenitude do potencial máximo.
Orlando Oda é presidente do Grupo AfixCode.