Os sete passos fundamentais para a inovação

Preparar as lideranças e investir no empreendedorismo interno são algumas das ações que fazem a diferença

0
304
Renata Horta, diretora de inovação e conhecimento da Troposlab
Renata Horta, diretora de inovação e conhecimento da Troposlab

Autora: Renata Horta

Em 19 de outubro, o Dia Nacional da Inovação é celebrado e sabemos que, apesar de muito ter avançado bastante nos últimos anos, ainda existem grandes desafios para fazer a inovação acontecer de forma sistemática nas grandes empresas. O Brasil ocupa, hoje, a 57ª colocação no Índice Global de Inovação (IGI) entre 132 países, subindo cinco posições em relação a 2020. Porém, o atual índice do país ainda está abaixo do melhor desempenho alcançado em 2011, quando ficou na 47ª posição.

Para o país voltar a subir no ranking e, consequentemente, acelerar ainda mais esse processo de inovação nas grandes companhias é preciso que os gestores implementem sete ações fundamentais em sua operação. Confira:

1. Difundir Conceitos e Habilidades
As companhias estão repletas de pessoas que aprenderam nas universidades e em suas carreiras a trabalhar evitando qualquer tipo de riscos. Mais do que isso, elas compreenderam a fazer um excelente trabalho dentro do processo e funções em que se especializaram. A inovação exige delas conhecimentos e habilidades absolutamente novas e nada intuitivas se compararmos a maneira como aprenderam a trabalhar. Dizer que as pessoas são resistentes, ou que não tem o perfil é simplificar a questão e definitivamente não ajuda quando a empresa precisa que a inovação esteja disseminada em todas as áreas para realizar a transformação digital ou outras ambições que tenham estipulado. Especialmente as corporações que estão começando a sua jornada de inovação devem se preocupar em preparar as pessoas. 

É um consenso de que as habilidades empreendedoras são fundamentais para fazer a inovação acontecer. Isso acontece porque há um risco inerente nos projetos inovadores e encontrar caminhos, articular soluções e não perder o foco ou motivação são fundamentais. Mas sabemos que mesmo pessoas empreendedoras terão mais facilidade em inovar se conhecerem um pouco dos conceitos e processos. É a combinação de conhecimentos e habilidades que irá aumentar a probabilidade da inovação acontecer.

2. Começar de forma localizada
Como a intensidade das transformações nas companhias tem sido grande, e generalizada, desenvolver a inovação em todas as áreas é um grande desafio. Podemos criar programas de inovação que abarque toda a organização, mas é importante entender que cada área terá uma forma de se apropriar dela. Sendo assim, é bastante produtivo começar de forma localizada, ajudando um setor mais propenso a se tornar mais inovador, a entender processos, conceitos e gerar os resultados que vão convencer os colaboradores de que é possível e necessário inovar. É um processo de construção de significado para as pessoas, para as áreas e para as empresas. Isso também não significa que devemos rodar o projeto com um departamento de cada vez, mas entender que existe um processo próprio de cada um e isso deve ser considerado no planejamento das ações.

3. Investir no Intraempreendedorismo
Existem poucos caminhos tão efetivos para criar a cultura e gerar resultados de inovação simultaneamente. Os programas de intraempreendedorismo são capazes de preparar as pessoas, fazer com que desenvolvam conhecimentos e habilidades durante a realização do projeto empreendedor. Isso é importante porque os times se tornam referência de inovação internamente, e os resultados se tornam histórias de sucesso em cima das quais a nova cultura irá se desenvolver. Mas para tudo isso acontecer é justo dizer que o programa precisa ser desenhado com sistemática de forma a convergir desenvolvimento comportamental e técnico.

4. Estabelecer a ambição e equilibrar recursos
O que a companhia entende estrategicamente como inovação? Entre a melhoria ou incremento e a inovação disruptiva existe muita diferença de como realizar a inovação. A ambição pode ser ganhar vantagem nos mercados em que a empresa já está presente, ou desenvolver novos produtos para mercados que ainda nem existem. Essa ambição e visão do que é inovação na organização, precisa ser coerente com os recursos que ela mobiliza e com o tempo que ela espera ver resultados. Se em poucos meses conseguirmos trazer novas tecnologias para melhorar produtos ou processos existentes, demoramos anos para gerar inovações radicais.

5. Definir o que é esperado da liderança e os prepará-la para isso
Temos observado que as lideranças podem se tornar a principal barreira à inovação. Guardiões dos resultados do trimestre ou do ano, a decisão de inovar pode se tornar difícil se o líder não está preparado para comprar o risco, entender o processo, apoiar projetos e abrir caminhos organizacionais para transpor as barreiras inerentes. Muitas vezes os tomadores de decisão possuem menos tempo para passar por processos controlados de desenvolvimento, mas no caso da inovação é extremamente importante prepará-los. Por outro lado, o líder que sabe atuar como mentor dos projetos de inovação, mesmo sem se aprofundar nas metodologias, consegue viabilizar projetos e manter os times engajados e focados – apesar dos desafios. O caminho bem sucedido com as lideranças começa com a definição do que é esperado delas no processo, em seguida apoiando essa atuação e fazendo com que seu desenvolvimento ocorra em paralelo aos projetos que acompanha.

6. Monitorar ações e aprendizados
Os projetos de inovação nem sempre geram resultados de curto prazo. Portanto, se avaliarmos com indicadores errados, podemos matar no nascedouro excelentes projetos. Estamos em um momento em que as empresas precisam aprender sobre o mercado, novas formas de trabalho, como desenvolver novos produtos e serviços. Apesar desse aprendizado não impactar diretamente o resultado, somente as companhias que aprendem bem poderão ter o desempenho necessário em um futuro próximo. Por outro lado, os projetos não precisam e não devem se desenvolver soltos. Pelo contrário, o desenvolvimento deve ser sistemático, apesar de flexível. Ao “pivotar” devemos saber exatamente porque estamos deixando de seguir uma direção e exatamente porque estamos seguindo a novo caminho selecionado. Isso se faz criando indicadores e métricas de aprendizado que podem ser desde validações com clientes até o engajamento de novos usuários, a depender do estágio de desenvolvimento.

7. Dissemine as histórias de sucesso e modelos
É muito comum que as companhias comecem por meio de projetos piloto. Pode ser via interação com startups, intraempreendedorismo, a incorporação de uma nova tecnologia que vai mudar a gestão ou o produto/serviço. Independente do projeto ou da intensidade deste início, é importante difundir os bons resultados por toda a corporação. Quando os colaboradores entendem que a inovação é possível e observam que colegas de várias áreas estão envolvidos fica mais fácil a implementação de novos padrões de comportamento. Lembramos que a cultura é ancorada nas histórias de sucesso que a empresa conta, assim como no comportamento de seus líderes. Compartilhar histórias de sucesso e o nascimento de novas lideranças é parte do trabalho de desenvolvimento da inovação.

Em resumo, a articulação de todos os setores é necessária para a inovação se desenvolver mais facilmente nas empresas. Essa tarefa não deve ficar encarregada somente pela área de marketing ou novos produtos – como antigamente. Ela precisa acontecer em todas as organizações para que novos modelos de negócio, formas de gestão, processos, produtos e serviços possam efetivamente mover a companhia na direção da era digital e a todas as transformações que ainda vem pela frente.

Renata Horta é diretora de inovação e conhecimento da Troposlab.