Otimismo do consumidor despenca

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A retomada dos atos de violência praticados na cidade de São Paulo, com mais intensidade a partir da segunda quinzena de julho, afetou o humor da população. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) atingiu 128,6 pontos neste mês, o menor patamar registrado nos últimos nove meses. Em dezembro de 2005, ele fechou em 131,4 pontos. O resultado de agosto é 4,5% menor que o verificado em julho, quando somou 134,6 pontos. Na comparação com o mesmo período de 2005, a retração foi de 2%.

“Como o cenário econômico é estável, a queda nos indicadores de confiança só pode ser atribuída à fragilidade da segurança pública em São Paulo. Quadro que também influencia negativamente a expectativa dos consumidores em relação ao futuro”, afirma o presidente da Fecomercio, Abram Szajman. Em termos gerais, as mulheres com mais de 35 anos estão menos otimistas. A confiança delas atingiu 124,6 pontos, contra os 132,9 pontos alcançados pelos homens. Essa diferença ocorre em conseqüência de o público feminino ser mais sensível às mudanças conjunturais que afetam diretamente o bem-estar da família.

O resultado do ICC foi influenciado, principalmente, pela variação negativa do Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), indicador que mede o grau de otimismo do consumidor quanto ao presente. Este mês, atingiu 120,3 pontos, queda de 6,3% em relação a julho. O Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), por sua vez, que indica a percepção futura do consumidor, registrou 134,2 pontos este mês, 3,3% inferior ao verificado em julho.

A análise segmentada do ICEA mostra que o esfriamento no otimismo atingiu homens e mulheres de todas as faixas de renda e etárias. No entanto, consumidores de renda mais alta, superior a 10 salários mínimos, e com idade acima dos 35 anos foram os mais afetados: os primeiros estão 11,8% menos otimistas e os segundos 10,7%. A retração de 3,3% no IEC foi impulsionada pela queda de 5,1% na confiança do consumidor com faixa de renda inferior a 10 salários mínimos. O indicador dos consumidores com rendimentos acima deste patamar se mostrou estável (0,1%). Isso se explica porque quem ganha menos de 10 mínimos está mais atento às dificuldades imediatas do que aos benefícios do cenário econômico. Já o humor da parcela com renda superior é mais suscetível às possíveis trajetórias de outros indicadores, entre eles a taxa de juros.