Pesquisa demonstra crescimento de incubadoras no País

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A V edição do Panorama das Incubadoras de Empresas no Brasil, pesquisa anual realizada pela Anprotec, revela crescimento de incubadoras de empresas no País e indica ascensão do Brasil para a posição de primeiro País da América Latina e terceiro no ranking mundial. Os dados preliminares da pesquisa foram apresentados durante o XII Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas – Habitats de Inovação, de 17 a 20 de setembro, na capital. O evento é promovido pela Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas (Anprotec) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec/USP).

A pesquisa indica que existem hoje no país 234 incubadoras, sendo 183 em atividades e as demais em processo de implantação. E aponta a existência de 1.731 empresas sendo geradas dentro destas incubadoras, em fases que vão da gestação à juventude empresarial. Sebrae, CNPq, universidades, prefeituras, empresas privadas e institutos de pesquisa são algumas das entidades responsáveis pela manutenção e pelo aumento de incubadoras no País.

Vistas como objetos essenciais de crescimento econômico em um país, as Incubadoras de empresas decolaram no Brasil e recebem anualmente investimentos de cerca de R$ 20 milhões. O fenômeno de crescimento mais acentuado é recente, há duas décadas, em 1982, eram apenas quatro incubadoras. Ao comparar dados dos últimos cinco anos é possível constatar que o movimento ganhou impulso ao elevar o número de incubadoras de 74, em 1998, para 234 neste ano, o que representa um crescimento de 220%. Neste período estas empresas geraram negócios da ordem de R$ 600 milhões/ano.

O panorama Anprotec é uma pesquisa realizada anualmente desde 1996 que visa retratar o movimento. Nesta pesquisa preliminar foram analisadas por meio de formulários 134 incubadoras de um universo de 183 incubadoras ativas, 73% do universo total. Segundo Luís Afonso Bermúdez, presidente da Anprotec, “os resultados da pesquisa têm como meta subsidiar o planejamento e a gestão das incubadoras e dos programas de apoio do governo e entidades parceiras”. Em 2002, já foram investidos neste setor R$ 14 milhões diretamente nas incubadoras e mais R$ 12 milhões para os Parques Tecnológicos, que indiretamente também auxiliam as incubadoras.

Segundo o diretor da Câmara de Desenvolvimento da Micro e Pequena Empresa da Fiesp, Armando Picerni, a mortalidade das empresas incubadas caiu em relação ao ano passado de 42% para 23%, revelando que as incubadoras estão cada vez mais engajadas em apoiar as empresas mesmo após sua graduação e ajudar as empresas a se consolidarem no mercado. “Verificamos que 75% das empresas que foram incubadas sobrevivem no mercado, enquanto que em relação às empresas não incubadas, somente 25% continuam em ação, afirma o diretor.

Uma incubadora funciona como um instrumento de fomento ao surgimento de novas empresas. É um ambiente planejado para acolher micro e pequenas empresas que estão começando a surgir. Funcionam em um espaço físico limitado, dividido em boxes. As empresas em gestão são classificadas como incubadas e residentes. Elas têm, em média, três anos para deixar o ambiente comum e partir para competição de mercado. A partir de então são classificadas como graduadas.

Existem três tipos de incubadoras no Brasil: as que abrigam preferencialmente empresas de base tecnológica, as de empresas de setores tradicionais e as mistas. A pesquisa mostra que do total, 57% são de base tecnológica, 29% são tradicionais e 14% são mistas. No ano anterior o levantamento da Anprotec apontou números similares, indicando que 55% eram tecnológicas, 31% tradicionais e 14% mistas. Estes resultados mostram uma nova postura do cenário brasileiro com relação ao desenvolvimento de tecnologia no país e é considerado um forte indicador de competitividade.

A Anprotec apresenta dados que revelam que os empreendimentos que passaram pelo processo de incubação têm um desempenho satisfatório no mercado. No ano passado, por exemplo, 34% das incubadoras tiveram entre uma e quatro empresas graduadas que permaneceram no mercado e com uma estimativa de faturamento anual de R$ 180 mil, em 52% delas, e entre R$ 180 mil e R$ 360 mil, em 17% delas.

A maioria das incubadoras hoje tem mais de três anos no mercado. A pesquisa indica que estas incubadoras já representam 49% do universo brasileiro. Este fato pode ser explicado pelo grande boom que o número de incubadoras apresentou a partir de 1996. Do Universo pesquisado, 29% tem de um a três anos e 22% tem até um ano de vida. Apesar da pequena diferença, a amostra pode ser considerada representativa.

De acordo com o panorama feito pela Anprotec em 2002, os principais objetivos das incubadoras brasileiras são o incentivo ao empreendedorismo (88%), o desenvolvimento econômico regional (72%), o desenvolvimento tecnológico (70%), a geração de empregos (61%), a diversificação da economia regional (48%) e, por último, o lucro (32%). Cada incubadora gerencia em média 7,4 empresas. Estas desenvolvem projetos, produtos e processos. O levantamento da Anprotec aponta ainda que 48% das incubadoras são Privadas sem fins lucrativos, 13% são Públicas municipais, 16% Públicas Federais, 12% Públicas Estaduais, 6% são Privadas com fins lucrativos e apenas 2% são empresas de Economia Mista.

No Brasil um dos mais importantes centros incubadores do país, o CIETEC foi criado em abril de 98 por um convênio entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, o Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), a USP (Universidade de São Paulo), o IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) e o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). As empresas incubadas no CIETEC têm à sua disposição as facilidades técnicas e operacionais oferecidas pela USP, o IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) e o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). São laboratórios em todas as áreas do conhecimento humano, com o apoio de técnicos e pesquisadores de todas as entidades envolvidas.