Práticas corporativas de benefícios em saúde

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Assim como sólida formação acadêmica, fluência em inglês, MBA e cursos de especialização passaram de diferenciais a pré-requisitos, um bom pacote de benefícios na área de saúde é condição fundamental para atrair e reter os melhores profissionais do mercado. Tanto que a Pesquisa de Benefícios em Saúde 2006, iniciativa da Vidalink em parceria com a Deloitte, constatou que praticamente a totalidade das empresas entrevistadas (98%) dispõe de planos de saúde.

O estudo mostra também que 93% oferecem benefício alimentação, 83% proporcionam algum tipo de assistência em medicamentos e 77% dão cobertura na área odontológica. Se o retrato inicial é animador, uma análise mais aprofundada permite verificar que há um enorme espaço para melhorias, uma vez que a gestão dos recursos ainda está aquém das possibilidades.

O universo estudado contempla 133 companhias que, juntas, empregam 700 mil colaboradores e apresentam faturamento combinado de R$ 275 milhões, ou seja, 15% do PIB do país. Do total, 42% têm entre 1 mil e 5 mil funcionários, enquanto 30% contam com uma força de trabalho de mais de 5 mil pessoas. A base da pesquisa, portanto, ganhou robustez se comparada à amostragem da primeira edição, em 2005. “O número de empresas participantes foi quase 20% maior do que o consultado para o primeiro estudo, o que redundou em um acréscimo de 40% no número de funcionários envolvidos”, afirma Luis González, diretor executivo da Vidalink, empresa do mercado de PBM – Programa de Benefícios em Medicamentos. “Nesta edição, saltamos de 24% de organizações com mais de 5 mil funcionários para 30% de companhias com esse porte”, observa.

Potencial desconhecido – Se a concessão de benefícios na área de saúde é analisada de forma ampla, indicando até a tendência de maior adesão aos planos odontológicos – 19% informaram que pretendem implantar essa alternativa, o que elevaria para 96% o total de empresas a oferecer a modalidade aos funcionários – a pesquisa detalha a questão do benefício de medicamentos. Aqui, as soluções adotadas vão da simples parceira com determinadas farmácias à contratação de empresas especializadas na gestão do benefício. “Ainda que 52% dos entrevistados conheçam o conceito de PBM, o que representa um aumento de 15 pontos percentuais em comparação com a pesquisa anterior, podemos observar que 48% ignoram as oportunidades que se abrem a partir de uma atuação estruturada e especializada nessa área”, adverte Pierre Schindler, também diretor executivo da Vidalink.

Entre as empresas pesquisadas, 83% oferecem o Benefício de Medicamentos e 7% têm planos de implementá-lo em alguma das modalidades possíveis. O estudo indica que, caso houvesse um incentivo fiscal por parte do Governo, a exemplo do que ocorre com o PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador, o nível de empresas dispostas a aderir ao subsídio subiria para 77%.

Quanto à administração do benefício, 48% fazem a gestão internamente e, desses, 42% têm duas ou mais pessoas dedicadas exclusivamente à tarefa. “Isso, obviamente, representa um custo indireto significativo, sem contar a limitação no que se refere ao poder de negociação para garantir condições mais vantajosas na compra de medicamentos”, pondera Luis González. O executivo observa que a gestão especializada, presente em 24% das companhias consultadas, proporciona a apresentação de relatórios de valor agregado, que ajudam na identificação de oportunidades para a diminuição de gastos com saúde. Outro dado relevante é que apenas 2,4% das empresas que subsidiam medicamentos a seus funcionários confiam a administração do benefício a uma rede de farmácias.

Para Vicente Picarelli Filho, sócio da área de Capital Humano da Deloitte, o estudo ressalta a possibilidade de gerenciar com mais eficácia os benefícios de saúde. No tocante ao auxílio-medicamento, ele acredita que há um caminho de aprendizado e considera a gestão profissional uma alternativa para otimizar recursos e preservar a qualidade da oferta nas diferentes frentes de assistência ao funcionário – o que contribui para a retenção das pessoas e o aumento da produtividade.