Preço baixo é preferência na escolha

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A crise econômica e a queda na renda estão levando o consumidor a deixar de lado suas preferências, em função da busca pela economia. Essa é uma das tendências demonstradas em sondagem realizada pelo Sincovaga, Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de S. Paulo, na capital. O levantamento mostrou que apenas 11% dos consumidores se mantêm fieis a marcas no supermercado no momento de crise. Por outro lado, mais de 27% já fizeram a substituição de marcas buscando preços mais baixos. Ou seja, a mudança já foi relevante, mas ainda há um contingente grande de pessoas que está muito ou pouco disposto a abrir mão das suas preferências.
Também é relevante o fato de que mais de 35% dos entrevistados nunca tiveram marcas de preferência. O que mostra que, em geral, mesmo sem o advento da crise, mais de um terço dos consumidores buscam preço e/ou conforto (não sai de uma loja para outra buscando exatamente uma marca específica) em detrimento de uma marca. Algo semelhante ocorre com locais de compra. Apenas pouco mais de 14% dos entrevistados se mantêm fiel a um local de compra. E, dentre eles, é interessante notar que grande parte (quase 35%) já escolheu o local de fidelidade por conta do preço. 
Mais de 22% dos respondentes têm local de preferência, mas já pensa (pouco ou muito) em mudar de local de compra, em busca de economia. Os consumidores buscam menor preço em detrimento de marcas e de locais de compra. Ou seja, os preços são um argumento muito forte de venda, em média. A não ser em alguns nichos de consumidores, por conta de renda ou necessidades específicas. Nesse quesito, quem tem fidelidade busca ou preços (o que caracteriza menos uma fidelidade e mais um raciocínio puramente orçamentário) ou comodidade: estar na passagem ou perto da casa dos consumidores é sim um grande ativo para as empresas. Nem 16% têm no atendimento algo mais relevante do que conforto e economia, mas esse fator não deve ser desprezado, e sim combinado na estratégia das empresas.
Com relação aos produtos, era de se esperar que os consumidores buscassem manter, ao menos, a fidelidade àqueles essenciais, como alimentos. Na sequência, higiene e limpeza. Não por menos o orçamento doméstico está ficando escasso, dado que os alimentos estão subindo mais de preço do que a média da inflação. Os consumidores abrem mão de outros gastos para, quando possível, manter o padrão de alimentação e de qualidade, expressa nas marcas que escolhem.
 “O mercado, neste ano, tende a ver um consumidor com menos recursos, mais atento a preços, e pouco propenso a pequenos luxos. O atendimento deve sempre ser um diferencial, mas de fato, para 80% ou 90% dos consumidores, o que vale mesmo é o preço, combinado à comodidade”, afirma o presidente do Sincovaga, Alvaro Furtado. “Cabe aos empresários interpretarem esses fenômenos e saber que o horizonte de tempo dessa crise tende a ser de médio para longo. Ao menos um ano (na melhor das hipóteses), e provavelmente de dois a três, na hipótese mais provável hoje.”

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