São Paulo integrada com big data

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Autor: Elton Conceição
São Paulo é uma grande cidade, com 11 milhões de habitantes, grande faixa territorial e população espalhada. Seu principal desafio, como de outras grandes cidades, é a mobilidade urbana. Em pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, mais de 30% das pessoas levam mais de duas horas por dia para se deslocarem de casa ao trabalho. Isto causa grande perda em qualidade de vida e produtividade da cidade e tende-se a piorar se nenhuma ação efetiva for tomada. 
Como seria se tivéssemos um plano diretor eficiente baseado em infraestrutura e tecnologia integradas? Poderíamos criar um centro de inteligência de informação, responsável por sistemicamente prover informações de tráfego, clima, operação de todo transporte público, engenharia de tráfego e polícia para a tomada de decisão e, principalmente, gerenciar tudo isto por meio de novas tecnologias. Com investimentos em infraestrutura, principalmente no transporte público, seria possível aumentar consideravelmente a estrutura de metrôs e trens.  Porém, estas ações precisariam ser planejadas e baseadas em dados que gerem valor agregado aos projetos. Para isto, o uso do Big Data em convergência com o conceito de Internet das Coisas levaria o acesso à informação a uma nova experiência. Mas, para tudo isso fluir, é necessário ter informações importantes para a tomada de decisão.
Um case de sucesso realizado pelo laboratório de Ciências de computação, CSAIL, do MIT pode exemplificar a importância dos dados. Tratava-se de um projeto em Singapura para viabilizar a melhoria no tráfego do país, com cinco milhões de habitantes, o tamanho de uma grande cidade, com uma malha de 26 mil táxis. Com esta base, foi possível mapear todo o fluxo de tráfego do país através da instalação de GPS nos táxis, além de Loop Detectors nas ruas, responsável por captar o volume de tráfego e velocidade dos automóveis durante todo o dia. As informações e análises de dados avançadas permitiram mapear o volume de tráfego em cada região e como o fluxo variava ao longo do dia. Todo o material coletado foi utilizado para fazer um planejamento de melhoria de engenharia de tráfego e investimento em infraestrutura.
Outras fontes de informação poderiam ser sensores de semáforo e dados que hoje já são coletados do funcionamento dos trens e metrôs. Uma estrutura de Data Center permitiria a centralização dos dados e um grande processamento de informação.
Com todos esses dados coletados e armazenados, é possível realizar várias ações estratégicas e operacionais com foco em melhorias através do uso do Big Data e análises preditivas, como as listadas abaixo. 
Operacional: criar uma cidade inteligente e, através do volume de tráfego, alterar o fluxo de ruas automaticamente e direcionar por sinais os motoristas a tomarem melhores rotas em tempo real; uma parte relevante do tráfego em alguns locais da cidade se deve aos motoristas à procura de uma vaga de estacionamento gratuito, diminuir o tempo de procura pode ajudar a melhorar o trânsito, hoje em dia é possível, através de análises estatísticas, prever o tempo médio que um carro fica estacionado, e direcionar os motoristas para uma vaga mais apropriada. Para essa comunicação é possível o uso de aplicativos móveis; implantar o limite de velocidade variável nas principais vias através do volume de tráfego em tempo real, desta forma é possível diminuir o número de congestionamentos; o uso de redes sociais como Facebook e Twitter para o compartilhamento de informações entre a cidade e cidadão da melhor forma de se locomover; por meio do volume de operação do transporte público é possível exigir mais ou não da malha, podendo direcionar entre linhas de metrô, trem e ônibus, de formar a ter um volume homogêneo de fluxo entre os mesmos.
Estratégico: através de estudos e análises de tendência podemos avaliar onde há a necessidade de maior investimento em infraestrutura, traçando um planejamento mais efetivo de obras de mobilidade urbana na cidade; por meio do uso de tecnologia de ponta, informações de várias fontes com credibilidade e em tempo real, é possível agilizar muito o dia a dia da população, e também permitir uma tomada de decisão mais assertiva no crescimento da malha viária da cidade, assim, o problema da mobilidade urbana não seria um transtorno tão recorrente na vida dos cidadãos de São Paulo. 
Elton Conceição é coordenador de sistemas da Leega