Bons presságios para o mercado de crédito

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“O Mercado de crédito, apesar de menos acelerado do que em 2010 e 2011, continua crescendo e crescerá nos próximos anos. Chegamos a 50% do PIB e nossa expectativa é de que chegue, até 2015, a 60%”, afirma Jair Lantaller, presidente do Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança, IGeoc. De acordo com Lantaller, isso se confirma no fato de que os principais bancos no País pretendem aumentar suas carteiras de crédito na ordem de 15% à 16% nos dois próximos anos, apesar da economia ainda não dar sinais de crescimento como esperado no início do ano. 
De acordo com o executivo, diante do cenário da inadimplência as empresas de recuperação têm um papel importante: o de entender as necessidades de cada devedor. “É preciso personalizar para ofertar a melhor condição de quitação da pendência e, assim regularizar a dívida. Aliás os sonhos dos consumidores não acabam e, estes voltarão a consumir, porém, as empresas precisam ser mais cautelosas na hora de conceder o crédito, avaliar melhor seus pretendentes e confirmar os dados, seja de forma eletrônica ou pessoal, tais como fontes de referência, renda, trabalho e residência”, pontua.
Questionado sobre os motivadores da inadimplência, além do estímulo que tiveram os consumidores, Lantaller também atribuiu a elevação, principalmente nas carteiras de Cartão de Crédito e Financiamento de Automóveis, ao crescimento na concorrência entre as instituições. “Algumas delas não tomaram as devidas cautelas e praticaram a redução das exigências na hora da concessão do crédito, como o comprometimento de renda do consumidor, o nível de endividamento, o percentual de entrada, aumento do número de parcelas, entre outros”, explica.
A reversão do quadro da inadimplência no País já é uma realidade, avalia Lantaller.  “Isso se dá, inicialmente, com o aumento das exigências na hora de conceder o crédito. As empresas possuem informações e métodos muito ricos que permitem uma melhor avaliação do tomador de crédito e também dos riscos da sua carteira de clientes, como score de crédito, bases integradas, análises inteligentes. Porém, ainda carecemos de um cadastro positivo dos consumidores, que, apesar de estar cada vez mais próximo, ainda está muito distante em comparação a outros países, que já o possuem há anos. O tempo joga contra as empresas neste momento” ressalta.
Para os créditos já concedidos e inadimplentes, Lantaller cita a facilidade da regularização do débito, a exemplo do aumento da prática de descontos no saldo devedor, parcelamento das pendências ou a renegociação dos contratos. Para continuar o crescimento, o presidente recomenda, “O Governo deve ter um papel importante neste momento, para estimular a economia ao rever e adotar incentivos, reduzir exigências, impostos, etc. Mas, as empresas também devem fazer o seu papel e buscar novos nichos e novos consumidores”, finaliza.