Crédito dificultado

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Os últimos 12 anos na história da economia do Brasil tiveram alguns momentos inéditos, como a confiança do brasileiro em relação à situação do País. Um dos fatores que motivou esse sentimento foi o aumento do poder de compra da população, ocasionados por diversos fatores, como a queda do dólar e o crédito facilitado. Este último, inclusive, auxiliou na construção do que hoje se conhece como a “nova classe C”, já que, além do poder de compra, os incentivos fiscais (como o IPI zero) e as renegociações de dívidas contribuíram para a manutenção do índice de inadimplência lá embaixo. Entretanto, a situação mudou bruscamente de julho de 2014 até o momento e, com isso, o perfil do consumidor na busca por crédito.
“O atual cenário de instabilidade econômica e as incertezas sobre a situação financeira no futuro próximo levam as pessoas a ficarem mais cautelosas. Isso acaba tendo um efeito negativo no nível de consumo e, consequentemente, uma redução na demanda por crédito de médio/longo prazo”, explica Fabio Itano, diretor vogal do IBEVAR e sócio da TA Consult. Por um lado, isso mostra que os consumidores estão mais conscientes. Mas, por outro, apesar do crédito imobiliário e automobilístico ainda serem buscados – mesmo que em menor proporção -, o cliente está buscando crédito para ajudar a fechar as contas do mês. Isso é reflexo das alterações tributárias ocorridas no início do ano frente ao baixo reajuste salarial.
Desta forma, este novo cliente é um desafio para as concessionárias de crédito, já que ele possui a maior parte da sua renda comprometida com despesas recorrentes e que afetam diretamente na sua capacidade de honrar pagamentos de empréstimos. Consequentemente, a capacidade do crédito também fica comprometida, fazendo com que muitos bancos e empresas concessionárias de crédito sejam mais rigorosas em sua análise. “São necessários novos modelos de relacionamento com o cliente; as análises de crédito passam a ser mais criteriosas, com maiores exigências de garantias e outras evidências, que comprovem a capacidade de pagamento do cliente”, aconselha Itano.

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