De olho na gangorra!

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Após quatro meses consecutivos em trajetória de desaceleração,  a inadimplência do consumidor brasileiro no comércio apresentou crescimento de +0,72% em agosto de 2013, na base de comparação com agosto do ano passado. Os dados são do indicador mensal calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O indicador leva em consideração mais de 150 milhões de consumidores cadastrados em 1,2 milhão de pontos de vendas espalhados por todo o Brasil.
Ainda que os números de agosto sinalizem uma interrupção da trajetória em declínio da inadimplência, os economistas do SPC avaliam que a alta de +0,72% é moderada. A projeção dos especialistas da entidade é que a inadimplência registre novas altas pelos próximos meses e comece a recuar com a proximidade das festas de final de ano, período em que tradicionalmente há uma maior recuperação de crédito. 
Quando comparada com julho, a taxa de inadimplência, que mede o atraso de pagamentos superiores a 90 dias, ficou um pouco maior e avançou +1,34%. No acumulado dos oito primeiros meses de 2013, comparando com igual período do ano passado – de janeiro a agosto de 2012 – a inclusão de novos consumidores no cadastro de inadimplentes do SPC cresceu +4,64%.
Na avaliação de Roque Pellizzaro Junior, presidente da CNDL, nos últimos anos a inadimplência do consumidor esteve muito associada ao crédito farto e à entrada de mais brasileiros no mercado de consumo. “Hoje, com a empregabilidade menos robusta e menores ganhos salariais, somados a perda da confiança do consumidor devido a fatores macroeconômicos desestabilizadores como juro mais alto, inflação elevada e dólar apreciado, é natural que haja um arrefecimento na inadimplência, porque o consumo também acaba sendo inibido”, explica Pellizzaro Junior.
Vendas a prazo
Em relação às consultas ao banco de dados do SPC Brasil, que refletem o nível de atividade no varejo para as compras parceladas, o mês de agosto registrou uma retração de -0,62% frente ao mesmo período de 2012. Embora as vendas no varejo venham em ritmo de desaceleração desde abril deste ano – período que coincide com a retomada do ciclo de aumento dos juros por parte do Banco Central para conter a inflação fora da meta -, é a primeira vez em 20 meses que o varejo apresenta desempenho negativo.
Na avaliação de economistas do SPC Brasil, o brasileiro está com o ‘pé no freio’ quando o assunto é consumo. O principal fator responsável pela leve retração das vendas em agosto é a falta de confiança do consumidor, que tem evitado tomar crédito para não comprometer ainda mais o orçamento familiar com novas despesas.
Recuperação de crédito
O percentual de recuperação de crédito no varejo, que reflete o número de pessoas que ‘limparam o nome’ regularizando dívidas em atraso, registrou baixa de -0,95% em agosto de 2013 sobre o mesmo mês do ano passado. Em relação a julho, o cancelamento de registros de inadimplência também caiu e apresentou um encolhimento de -0,33%. No acumulado do ano, contudo, o número de consumidores que saldaram dívidas em atraso e voltaram a ter crédito no mercado é positivo e cresceu +3,38%, segundo o indicador do SPC Brasil. De acordo com Pellizzaro Junior, o levantamento demonstra que o comprometimento da renda da população para quitar dívidas, somados ao encarecimento do crédito e a permanência da inflação em patamares elevados, dificultaram a renegociação de dívidas em agosto.