O lado positivo

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Se por um lado muito criticam o novo projeto aprovado pelo Senado, que prevê cobrança diferenciada nas operações de cartão de crédito, por outro ele deve tornar consumidores mais conscientes. Em um momento de retrações das compras será mais uma taxa que as empresas poderão embutir, nas compras, o que poderá fazer com que as compras com o cartão sejam menos utilizadas, segundo Reinaldo Domingos, presidente da Dsop Educação Financeira. “Haverá uma valorização da importância da educação financeira nas vidas dos consumidores e também das compras que são efetivamente à vista (dinheiro, cartão de débito). Contudo, também se terá uma melhor noção do que significa uma compra no cartão, que nada mais é do que uma compra à prazo. Essa falta de percepção não permite que se perceba que na compra no cartão se paga encargos e juros”, comenta.
Com essa possível alteração, Domingos afirma que o consumidor deve adotar um consumo consciente. “Os consumidores devem ter mais que nunca a consciência que nas compras à vista sempre se pagará juros, sejam esses diretos ou embutidos nos preço do produto. Sabemos que os juros dos bancos realmente são exorbitantes, mas não se deve colocar a culpa nas instituições financeiras, no governo ou no sistema.” Ele reforça que o cliente precisa assumir a responsabilidade das finanças e mudar o comportamento em relação à utilização e administração do dinheiro.
Ainda assim, Reinaldo considera a cobrança injusta e vê o projeto afetando de forma negativa principalmente ao consumidor, que já paga anuidade e outras taxas referentes ao cartão de crédito. “Se a empresa cobrar uma taxa de 5% ao consumidor nessas situações, a cada 20 compras em um mesmo valor, poderia adquirir mais um produto igual, no valor integral só com essa taxa antecipada de juros, isto é, se comprar 20 produtos de R$100,00 com o cartão de crédito terá gasto a mais, outros R$100,00. Assim, o interessante é mais que nunca poupar e comprar à vista. Cabe agora ao consumidor que pagará à vista lutar ainda mais por descontos”, explica.