Sem dinheiro no bolso

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É fato que os últimos anos foram muito prósperos para o setor de turismo. Foi um período em que o dólar estava baixo, as passagens de avião baratearam – incentivando muitas pessoas a trocarem a estrada pelos ares -, e surgiram muitas empresas com pacotes de viagens a preços e condições acessíveis a população. Além disso, nunca havia sido tão fácil conseguir crédito na praça. Porém, após as eleições presidenciais de 2014, a situação econômica mudou drasticamente e a recessão está se tornando uma realidade para governo, empresas e pessoas. Desta forma, todos são afetados, inclusive o setor de turismo que, por trabalhar com modalidade de financiamento (crédito), pode ver a inadimplência crescer, caso a crise econômica do País se agrave. “O crédito no setor de turismo deve ser afetado de forma desfavorável”, alerta Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC.
Ela explica que, com a menor demanda por viagens de valor mais alto, reflexo da atividade econômica mais fraca e da perda de força do crescimento da renda real, os consumidores devem demandar menos crédito para o financiamento de suas viagens de turismo e negócios. Para Marcela, as concessionárias de crédito também vão estar mais rigorosas com seus clientes, pois terão menor apetite para situações de risco, além de demonstrar que a alta do dólar é outro fator impactante, reduzindo o número de viagens internacionais, existindo a possibilidade de uma fomentação do turismo interno.
Dentro do quadro apresentado, a economista apresenta que para manter o mercado aquecido, devem ser ofertados pacotes que atendam a nova necessidade do consumidor, além deste ser um bom momento para as empresas de cobrança aproveitarem esta fatia do mercado. “Essas empresas podem ser o intermediário ideal entre a empresa financiadora e o consumidor inadimplente. Mas no contexto atual, além de contar com o remédio propiciado pelas empresas de crédito e cobrança, é preciso contar também com a prevenção, que envolve a venda segura e as consultas às informações daquele novo cliente”, conclui Kawauti.