A hora de alinhar convergência

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Há dez anos, José Antonio Fechio ingressava na CTBC, empresa de telecom do Grupo Algar, como diretor da área de TI. No mesmo ano de sua chegada, a companhia inaugurava a ACS, empresa de contact center. Os caminhos se cruzaram e, hoje, Fechio assume o cargo de diretor-presidente da Algar Tecnologia, novo empreendimento do Grupo focado em BPO, TI e consultoria, resultado da união entre a ACS e a área de TI da CTBC. A empresa, desenhada ao longo de 2008, custou R$ 22 milhões e já nasce com 7 mil funcionários e cem clientes, sendo a CTBC o principal deles.  Com faturamento de R$ 220 milhões em 2008, representa 10% do montante total do Grupo. Para 2009, o planejamento é de crescimento de 20% e investimento de até R$ 23 milhões, gerados pelo próprio caixa da nova empresa.

Formado em administração de empresas e direito, Fechio trabalha há 25 anos no setor de tecnologia. Quando chegou a CTBC seu desafio foi implantar “projetos e sistemas de suporte ao negócio corporativo, sistemas de billing, CRM e de provisionamento”, como ele mesmo relembra. Ao longo dos anos teve contato com outras áreas da empresa, sendo responsável, antes de ocupar o atual cargo, por toda a área de tecnologia e operações. Nesta Entrevista Exclusiva, ele conta como foi a estruturação da nova empresa, os desafios pessoais e as expectativas de crescimento pessoal e profissional, com os desafios da nova empresa.

Como foi o processo de construção da Algar Tecnologia?
Não acredito em casuísmo, costumo pautar a nossa vivência profissional e a execução do negócio sempre por um planejamento e, nesse caso especificamente, a Algar Tecnologia nasce de uma visão e da realização de alguns sonhos lá do passado. Há dez anos, quando lançamos a ACS e o Divino Sebastião de Souza, presidente-executivo da CTBC, junto com uma equipe, desenvolveu o negócio, vislumbrávamos serviços de contact center com uma qualidade que o mercado até então não praticava. Para isso, buscamos benchmarkings internacionais, criamos competência na gestão desse serviço, estrutura tecnológica e de ambiente ímpares para aquela época. Desde então, viemos desenvolvendo essa atividade, visando serviços de maior valor agregado na linha de BPO. Paralelo a isso, na CTBC – também objetivando inovação, com constante visão de mercado, mapeando, conversando com os clientes, analisando a demanda, tendências e competências internas – desenvolvemos os primeiros serviços de data center há oito anos. O embrião do projeto foi a Brasilis, empresa nascida dentro da CTBC, onde construímos o primeiro data center em Uberlândia, ainda em funcionamento. Hoje já são três unidades, duas delas em Uberlândia e uma em Campinas. Também viemos, cada vez mais, acrescentando serviços de maior valor agregado à cadeia de convergência de TI e telecom. Para que pudéssemos dar outro salto de qualidade nos negócios, indo ao encontro do que os clientes estavam nos pedindo e o mercado clamava, sem deixar de olhar para as nossas competências, pegamos a parte de tecnologia de data center que já estava sendo desenvolvido dentro da CTBC, somamos à parte de contact center e BPO, desenvolvida na ACS. Não se trata apenas de uma junção de empresas, ao longo desse ano desenvolvemos estratégia de negócios, portfólio novo de soluções e segmentação de mercado, para que possamos nos especializar verticalmente em vários segmentos.

Quais os desafios pessoais e do novo negócio?
Precisamos manter e incrementar a qualidade de serviços pela qual a ACS é reconhecida no mercado de contact center e BPO. Também queremos manter a tradição desses anos de serviços na cadeia de TI voltados para infra-estrutura e, devemos dentro desse novo portfólio, desenvolver serviços com maior valor agregado, subindo na cadeia de valor. O meu maior desafio pessoal e de negócio será reunir três ingredientes nesta nova atividade. O primeiro é o da consolidação, temos operações que estão se consolidando constantemente e devem ser aperfeiçoadas, tanto de contact center como de serviços de TI e, agora, consultoria. As soluções se inovam rapidamente, seja pelas evoluções de tecnologia ou dos negócios de nossos clientes, e até mesmo pelas novas regulamentações. Ao mesmo tempo, há o desafio da transformação, porque a evolução é constante e a nossa empresa nunca estará totalmente pronta, ela evolui e se inova o tempo todo. E também devemos crescer. Temos de consolidar, transformar e crescer, tudo ao mesmo tempo. Os teóricos falariam que fazer tudo isso concomitantemente é complicado, mas não existe mais espaço no mercado para fazer de forma separada.

Quais os principais serviços oferecidos pela Algar Tecnologia?
Definimos três vertentes de negócios dentro do portfólio. A BPO, que inclui toda parte de callcenter, se mantém e a maioria das nossas receitas continuarão vindo de contact center, por ser o alavancador dos negócios da Algar Tecnologia, mas vamos tentar transformar esse contact center em serviços que gerem mais valor aos negócios dos clientes. Desenvolveremos ainda mais os serviços da área de tecnologia que hoje provem da CTBC, não só na camada de infra-estrutura, aproveitando os nossos três data centers, mas também em serviços de maior valor agregado, principalmente de operação, desenvolvimento, manutenção e integração de sistemas e aplicações. E, por fim, a vertical de consultoria, na qual estaremos nos aproveitando da expertise já existente, em TI, BPO, talentos humanos, gestão de projetos ou no conhecimento do segmento de saúde, para oferecer serviços de consultoria para os nossos clientes e para o mercado.

Como a ACS fica dentro da estrutura da nova empresa?
A ACS permanece dentro da Algar Tecnologia, dando nome a uma linha de serviços de contact center que prestamos para o mercado.

A Algar Tecnologia atuará como uma holding?
Sim, como uma holding dos vários negócios que oferecemos. A CTBC permanece independente, posicionada no setor de telecom e, é claro, passa a ter também no seu portfólio todos os produtos e serviços da Algar Tecnologia.