A palavra mágica do profissional

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O brilhante roteirista de cinema norte-americano, Charles Kaufmann – responsável por sucessos tais como “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”, “Eu quero ser John Malcovitch”, entre outros -, no filme autobiográfico “Adaptação” chegou a afirmar que, quando você faz alguma coisa com paixão, com amor, reduz o mundo a um tamanho administrável. É isso aí. O que quer dizer que a pessoa que trabalha sem paixão, sem entusiasmo, fica com a mente divagando. Jamais fará um bom trabalho. Está perdida num redemoinho de sensações que levam inevitavelmente ao fracasso.

Muito provavelmente, a área de relacionamento com clientes seja aquela na qual o amor se torne imprescindível. A palavra “paixão” deriva do latim passione (entusiasmo muito vivo por alguma coisa). Portanto, sejamos passionais no trabalho. Construir uma carreira na qual a emoção prevaleça, dentro de um universo racional e lógico. E sou obrigado a citar aqui o criador da terapia racional-emotiva, Albert Ellis. Segundo ele, quando você diz “eu preciso”, é porque está apenas carente. Quer preencher o vazio interior com algum subterfúgio. Por outro lado, no momento em que você afirma “quero doar, entregar, colaborar, contribuir positivamente”, está amando. Entendeu? Isso serve tanto para as relações afetivas quanto para o trabalho.

Outro dia, numa das conferências da Cliente S.A., o auditório inteiro se emocionou com a palestra de Cláudia Pirani, responsável pelos serviços de ouvidoria de uma grande rede de supermercados. Porque ficou a patente a paixão revelada por seu trabalho durante a exposição. Numa outra ocasião, conversando com a  titular do departamento de RH de uma grande organização de contact center, Cida Garcia, me emocionei ao verificar o prazer que ela sentia ao orientar seus comandados. Quando perguntei a ela o que mais valorizava nos colaboradores, não titubeou: “A paixão demonstrada na execução dos serviços”. Não é à toa que essas mulheres, assim como muitas outras pessoas com quem tenho conversado, constroem uma carreira admirável.

A edificação de uma carreira profissional bem-sucedida é o resultado da composição de vários ingredientes. Competência técnica, foco nas metas, atualização constante, criatividade, uma sólida rede de relacionamentos, etc. Entretanto, nada conta mais do que a paixão. Devemos, sem dúvida alguma, procurar os motivos para amar aquilo que fazemos. Não por causa do salário (“eu preciso”), mas porque sentimos que somos importantes (“eu ajudo, contribuo diariamente para que alguém seja mais feliz”). O resultado disso será um currículo carregado de resultados e metas atingidas.

O amor ao trabalho se espalha pela organização. É contagiante. Aprendi num dos meus estudos sobre Qualidade que “a fase subseqüente é cliente da precedente”. Do seu trabalho depende a organização como um todo. Ou seja, nenhuma corrente pode ser mais forte do que seu elo mais fraco. A nossa atitude influencia muito mais pessoas do que imaginamos. A entrega no trabalho não pode ser fruto de carreirismo ou oportunismo profissional. Cedo ou tarde isso se esvai na areia do tempo. Quando nossa entrega é por amor ao que fazemos e amor ao semelhante, essa é a genuína paixão que nos faz progredir. Pode soar poético, mas como é efetivo no mundo dos negócios!

Claudir Franciatto é jornalista e escritor, com nove livros publicados. É colaborador da Cliente S.A. e parceiro da Bolsa de Empregos do Callcenter.inf.br.