A vida após o MBA

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No ano de 2000 concluí meu MBIS (MBA Executivo em Ciência da Computação) na PUC. Foi um ano dificil, pois em 100% dos casos, um MBA sempre representa uma agenda bastante carregada, bibliografia vasta e muitos trabalhos a serem entregues. No entanto, apesar da carga, o conteúdo apresentado foi um divisor de águas em minha maneira de entender o business. Algo como um “turning point”. Na época, eu era Gerente de Comunicação da Sun Microsystems. Além de outros fabricantes lá representados, havia uma dezena de profissionais de empresas que eram ou poderiam ser nossos clientes. Nossa sala de aula era um ambiente que favorecia a troca de conhecimento e experiências.


Era muito interessante perceber como as necessidades destas empresas eram atendidas pelos fornecedores em geral. Ao mesmo tempo em que o curso nos ensinava como administrar uma empresa, tomar decisões no momento oportuno, fazer análises financeiras e lidar com estratégias de marketing, ali mesmo, a sala de aula era o real laboratório de nosso aprendizado. Nossos professores possuíam uma grande experiência acadêmica e/ou executiva, mas o conteúdo ensinado era testado ali mesmo, em real-time. Sempre voltava para a empresa com uma “mensagem” enviada pelos clientes que participavam do curso.


Por se tratar de um MBA executivo, o curso oferece uma visão generalista, cujo conteúdo traz conhecimento que pode ser aplicado no dia-a-dia. Já naquela época, no auge das ponto.com no Brasil e com a virada tecnólogica trazida pela Internet aos negócios, sabíamos que o mercado necessitava de profissionais globalizados e a PUC foi muito hábil ao incorporar em nosso currículo, disciplinas ensinadas em programas de ponta no exterior – através de parcerias com universidades americanas – sem perder no entanto, as características da realidade brasileira. Era o melhor dos dois mundos.


Ao terminar o curso, sentia-me uma verdadeira “poliglota”, por ter adquirido conhecimento sobre vários aspectos do business de cada dia. A combinação entre teoria e prática foi fundamental em minha carreira, à época na Sun. Logo ao final do curso, fui convidada a desenvolver um projeto de marketing e comunicação para a divisão de novos negócios para a América Latina. Nenhum MBA poderia ter previsto os resultados dolorosos da grave crise deflagrada nos Estados Unidos, que sobreveio aos setores de tecnologia e telecom, afetando enormemente os negócios no Brasil. Por conta disso, a Sun foi obrigada a reestruturar seu quadro profissional e eu fui – como dizem – “convidada a buscar novos desafios”.


Ainda assim, a experiência de ter participado de um MBA é fator crítico de sucesso no trabalho que exerço hoje. O MBA certamente acrescentou conteúdo à minha carreira, experiência, maturidade, além de ter proporcionado uma bela oportunidade de conhecer profissionais – hoje, um grande grupo de amigos, que encontra-se regularmente para falar sobre o mundo, negócios, carreiras e pessoas -, um pouco de tudo, exatamente como no MBA.


Gladis Costa é consultora de Marketing, fez o MBA da PUC/SP. E-mail:
[email protected]

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