Afinal, você sabe qual é a tua obra?

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Como um brinde ao início de mais um ano, escolhi um livro cujos temas centrais são, na minha opinião, os mais fascinantes no mundo corporativo: gestão, liderança e ética. O autor é um dos maiores pensadores brasileiros da atualidade, o filósofo e professor Mario Sergio Cortella. E o livro “Qual é a tua obra?” já traz um subtítulo que nos seduz para a leitura: “inquietações propositivas sobre gestão, liderança e ética”. Discussões e questionamentos sobre os pilares para a construção de uma sociedade sustentável, de fato.

Como bem antecipa a filha do autor no prefácio, encontrar a resposta para a pergunta título do livro é uma tarefa difícil. Mas não se iluda, a resposta não está no livro… O autor apenas nos ajuda a buscá-la. O livro foi estruturado em três partes. A primeira aborda gestão, enfocando a importância da busca de um sentido no trabalho e, consequentemente, de enxergar um significado maior na sua vida. O autor explica porque o trabalho ainda é tratado como uma espécie de castigo, e porque precisamos mudar este conceito pela ideia da realização de uma obra. De certa forma, isto explica o fato da espiritualidade ser um assunto cada vez mais presente no universo corporativo.

Cortella fala sobre o lado bom de não saber, pois reconhecer o desconhecimento é um sinal de inteligência fundamental para mudança. O autor aborda também o estoque de conhecimento, a educação continuada como forma de aprimorar competências e habilidades e a importância do reconhecimento para uma nova “lealdade relativa”. Afinal, todos querem aumentar a empregabilidade, mas nem sempre estão dispostos ao sacrifício, daí surge a “síndrome de Rocky Balboa”.

Os capítulos seguintes tratam da mudança, do medo de enfrentá-la e a capacidade de antecipá-la. E encerra com o grande estrago das pequenas ondas e a necessidade de melhorar a nossa gestão pessoal. Quando um modelo de vida leva a um esgotamento, é fundamental questionar se vale a pena continuar no mesmo caminho. Já pensou nisso?

Na sessão sobre liderança, o autor afirma que esta é uma virtude e não um dom. E explica que o fundamental é chegar ao essencial, ou seja, tudo aquilo que você não pode deixar de ter como felicidade, amizade, sexualidade, religiosidade, etc. Por isso, contar com mecanismos de reconhecimento é um sinal de inteligência estratégica.

Cortella afirma que uma das principais tarefas do líder é precisamente esclarecer a obra coletiva. Realizar e percerber-se no conjunto da obra é a perfeita sensação daquilo em que me reconheço como indivíduo. Um líder precisa ser capaz de inspirar e animar as pessoas. Elas precisam se sentir bem e plenamente integradas à obra. Para isso, Cortella elenca as cinco competências essenciais na arte de liderar: abrir a mente, elevar a equipe, recrear o espírito, inovar a obra e empreender o futuro.

Na última parte, o autor desvenda o mistério da ética de forma brilhante, com uma fórmula capaz de dirimir qualquer dúvida. Ele sugere três perguntas simples que são essenciais para cuidarmos da vida coletiva. Quero? Posso? Devo? Afinal, a ética é um conjunto de princípios e valores que usamos para responder estas perguntas. E a integridade é um princípio ético para não apequenar a vida, que já é curta.

Enfim, uma leitura agradável, rápida e profunda. Mas nada servirá se você não praticar seus conceitos. Dê-se esta oportunidade! Como diz o professor Cortella, um poder que se serve em vez de servir, é um poder que não serve. Lembra-te que és mortal.

Descubra qual é a tua obra e tenha um feliz 2011!

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