Breve ensaio sobre o futuro

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Não há jeito
mais tradicional de começar um ano que fazendo promessas de mudança e elaborando alguns palpites sobre o que irá acontecer. Em 2007, consegui me controlar e evitar o auto-engano, mas não resisti a um breve exercício de futurologia. Claro, procurei me ater ao nosso tema Inteligência de Mercado, deixando de lado outras deliciosas tentações como o final da novela das oito ou o próximo campeão brasileiro. Para evitar parecer bobo completo, resolvi falar de tendências que devem se confirmar com força nos próximos dois anos. Para mais prazo, é melhor mesmo procurar algum vidente.

A
primeira grande tendência que gostaria de apontar é de redução de investimentos de entrada em novas tecnologias de informação e comunicação. Vários movimentos parecem apontar nesse sentido. O Google, com seu modelo de negócios “varejão”, é o capitão do navio. A maior parte dos serviços do Google, mesmo corporativos, é baseada em pagamentos recorrentes, normalmente de pequeno valor. No Brasil, temos muitas pequenas empresas gerando oportunidades de negócios, investindo duzentos reais por mês em publicidade no Google. Não é grátis, há custo, mas o investimento inicial é quase nulo.

Mas não pára por aí. A outra grande onda que se confirma é o Open Source. Inicialmente, víamos Open Source de alta qualidade somente em software básico, não em aplicativos. O mundo evoluiu. Há Open Source de altíssima qualidade e flexibilidade para suítes de escritório, ERP, CRM, BI, gestão de conteúdo e por aí vai. Por favor, não confunda Open Source com grátis. Significa apenas que você tem acesso ao código-fonte dos programas, o que em 90% dos casos implica em total disponibilidade para download livre. Daí a colocar em operação e fazer funcionar de forma séria é outro caso. É nesse conjunto de serviços, que engloba instalação, configuração, treinamento e suporte, que empresas especializadas estão apostando como fonte de receitas e clientes fiéis. É a chamada visão SaaS – “software as a service”. Será que a Microsoft também vai parar lá?

Chegamos à terceira tendência: se a tecnologia está tão disponível e com menores investimentos de entrada, abre-se imensa oportunidade de revolucionar todo o negócio, trazendo inovações que antes estavam somente ao alcance de competidores capitalizados. Mas pergunta-chave, quem sabe juntar tudo isso? Posso responder com segurança que nenhuma empresa hoje, por maior que seja, é capaz de identificar todas as alternativas disponíveis no mercado para a resolução de todos os problemas existentes nos negócios. O conhecimento é amplo demais. Desta forma, há cada vez mais oportunidade para especialistas, atuando em nichos cada vez mais estreitos, ganharem a vida fornecendo expertise para os mais diferentes clientes. Não é a toa que toda empresa nos Estados Unidos se declara líder de mercado. Repare só como eles definem os mercados! São claramente nichos, com alto grau de especialização.

Por último, algo que tende a impactar com bastante força nosso trabalho de Inteligência de Mercado. Nunca se pensou tanto em distribuir informação para as áreas de operações. Concluiu-se, depois de muito falhar, que a maior parte das decisões são tomadas lá, naqueles momentos decisivos frente ao cliente. De grão em grão, a galinha enche o papo. E não há empowerment possível sem informação correta, no tempo adequado. Bom momento para fazer uso das três primeiras tendências e tentar alavancar a distribuição de informação que vêm de IM na sua empresa. Mãos à obra! E um feliz 2007, de muito sucesso e realizações!

Leonardo Vieiralves Azevedo é presidente da WG Systems, tecnologia para tomada de decisão. E-mail: [email protected]