Da escola para a empresa, e vice-versa

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A informação e o conhecimento se tornam a cada dia mais disponíveis a um número cada vez maior de pessoas. Esse processo, potencializado pelas tecnologias digitais, está provocando mudanças irreversíveis nos modelos de entendimento e administração dos negócios e propiciando um ambiente de aprendizado constante, além de gerar novas experiências.
Hoje, vemos iniciativas de praticamente todos os atores no cenário social. Mesmo os governos, identificados como “elefantes tecnológicos”, estão oferecendo aos cidadãos informações e conhecimento a partir do uso intensivo das tecnologias da informação e da Internet.
Com isso, procuram reduzir drasticamente o analfabetismo tecnológico, incluir as camadas mais isoladas na sociedade da informação e do conhecimento e tornar o acesso à rede mundial de computadores um direito básico. Isto tem levado as pessoas à beira do processo inovativo, tornando-as aptas a competir dentro da lógica imposta pelo mercado global. As mudanças provocadas pela ampliação do conhecimento formam um novo modelo de adaptação e aprimoramento contínuo, a uma velocidade jamais vista.
A interação entre os diferentes meios de comunicação nos propicia uma mudança no paradigma da produção e da divulgação do conhecimento. Não é fácil desenhar com precisão o cenário do futuro, mas uma coisa parece clara: o conhecimento, cada vez mais, deixa de ser monopólio das instituições tradicionais de ensino. O papel do professor e da escola está mudando drasticamente. Cada vez mais seu papel será de integração e acessibilidade ao conhecimento, pelos mais diversos meios. Com o conhecimento cada vez mais distribuído e acessível pela Internet, fica cada vez mais impossível assumir a premissa de que tudo aquilo que se precisa está “dentro” da escola ou da empresa.
As escolas – sejam as tradicionais ou as universidades corporativas – terão de ser centros de conhecimento: de geração, sim, mas principalmente de acesso, tradução e transformação de informações em conhecimento e de conhecimento-padrão em conhecimento útil. Esses centros de aprendizado – as escolas e as empresas – terão de ser, cada vez mais, interdisciplinares. Com isso, a necessidade de se sintonizar o cronograma curricular do aluno com o conhecimento contemporâneo se torna um fator fundamental para a eficácia do processo de ensino.
Motivar para aprender requer superar as limitações da transposição didática. O aluno vai precisar se motivar e ser motivado a valorizar, na mesma proporção, o conhecimento escolar e o treinamento, como já faz com os aprendizados vivido e observado, que ocorrem de modo espontâneo. Mas essa tarefa terá de considerar que o cotidiano, tanto dos jovens estudantes como dos profissionais nas empresas, é cada vez mais complexo e congestionado de informações, obrigações e pressões quase sempre fragmentadas.
Por ser interativa e viabilizadora de uma capacidade de aprendizado sem igual, a tecnologia da informação não dispensa a educação presencial (principalmente a escolar), mas a acelera, completa e enriquece. Aliás, parece-nos que o grande papel da educação escolar será ajudar o indivíduo a discernir, optar e decidir. Desta se espera que prepare os alunos para uma renegociação dos significados veiculados pelas diferentes mídias, fornecendo-lhes ferramental para análises críticas.
Os conteúdos de ensino deverão ter significados como meios – e não mais como fim em si mesmo. Com o excesso de informações, o conhecimento de valor torna-se mais relevante. O conteúdo ensinado deverá visar mais às capacidades necessárias ao exercício de dar sentido ao mundo, em competências como analisar, prever, resolver problemas, continuar a aprender, adaptar-se às mudanças, trabalhar em equipe, opinar, decidir etc.
E a prova irrefutável disso está no teor das cobranças profissionais. Não é por acaso que as competências citadas são as que mais agregam valor ao trabalho e ao exercício da cidadania na sociedade. No universo corporativo, cada vez mais se torna indispensável a capacidade de entender, acompanhar e selecionar/controlar o enorme volume de informações e procedimentos gerado pela infinidade de fluxos de trabalho necessários para todas as suas operações.
Acreditamos que a valorização do homem como indivíduo decisor e responsável será a grande tendência que as empresas deverão adotar como alma de seus modelos de negócio.
As mudanças estão ocorrendo em ritmo mais acelerado e, para acompanharmos estas mudanças, profissionais e estudantes devemos ter a flexibilidade para nos adaptarmos às novas situações, aprendendo e reciclando conceitos, posturas e atitudes. A organização e a sistematização dos relacionamentos e trocas convertidas em conhecimento permitirá a fluidez necessária para que haja renovação. Isto nos dá a certeza de que o profissional não pode mais permanecer amorfo, sob o risco de estagnar sua própria evolução pessoal.
A função Recursos Humanos (RH), assim por dizer, tem papel fundamental nesse cenário. Pisar no acelerador do gerenciamento do conhecimento é sua obrigação estratégica, juntamente com marketing, tecnologia e operações.
Focado em resultados e na orquestração das competências individuais, suportada por ferramentas como o E-Learning e com recursos das universidades corporativas, o RH certamente terá sua responsabilidade e convocatória ampliadas. Ensinar e motivar a aprender e evoluir será a linha-mestra de suas ações.
Vivemos e viveremos um processo de reinvenção constante. Caberá, portanto, à espécie humana aprender a sobreviver de acordo com as leis da evolução natural e da lógica da competição, sabendo como introduzir complexidades nos meios de atuação e criar rupturas nos padrões existentes.
As novas gerações, que entrarão no mercado de trabalho nos próximos anos, deverão ser mais intuitivas e experimentais. Aprender pela tentativa e pela prática serão as formas de crescer e acertar. Gerar conhecimento é uma alquimia inteligente.
Daniel Domeneghetti é sócio-fundador e diretor de Estratégia e Conhecimento da E-Consulting Corp. e vice-presidente de Conhecimento e Métricas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Camara-e.net)