Gerações fora de foco

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Quatro gerações vivas e ativas. Temos a “baby boomer”, nascidos no pós-segunda guerra. Vivenciaram grandes transições e, por natureza, valorizam a estabilidade trabalhista. Destes originou-se a geração “X”, que são os nativos analógicos. Conhecemos o telégrafo, fax, telefone fixo (com fio), e-mail, Orkut, Facebook, WhatsApp e aguardamos mais. Demos vida à geração “Y”, uma garotada que também deu um “boom”, no manuseio tecnológico. Sabem tudo no que se refere ao mundo virtual. São imediatistas, instáveis, versáteis e tem muita pressa em comunicar-se. Essa se mistura à geração “Z”, que é composta por “pequenos adultos”. Encabeçam a era do touch (toque). O fato é que toda essa gente está aí, todos juntos, em um mesmo mercado de trabalho.
Origens diferentes, mas anseios semelhantes: prosperidade e felicidade. E as empresas? “Perdidinhas!”. Treinam a geração “Y” com o mesmo modelo usado na indústria dos tempos do “baby boomer”. Exigem expertises da geração “X”, achando que somos “Z”. Querem que a geração “Z” tenha comportamento de “X”, ou seja, exigem daqueles a maturidade de um “baby boomer” e a multifuncionalidade de um “Y”. O resultado é rotatividade alta, baixa performance operacional e uma qualidade de vida meio esquisita.
As doenças psicossomáticas são geradas pela atividade ocupacional, refletindo diretamente nas famílias. Pais e mães preocupados com o futuro de seus filhos e sem tempo para cuidar disso. Filhos com poucas referências profissionais e, por vezes, familiares estão tentando se encontrar por meio das redes. Tudo está em rede, tudo é permitido até que alguém diga “não”. Essa conjuntura gera pessoas sem limites, com baixa resiliência e que, consequentemente, não se adaptam aos limites organizacionais e perdem boas oportunidades. Empresas que também não estão preparadas para essa gente acabam “flexibilizando” por sobrevivência. Lá na ponta, está o cliente, elevando seu grau de exigência.
O baby boomer com muita vontade, mas pouca habilidade. O “X” tentando mandar, mas necessitando de ajuda. O “Y” sem intuito de ajudar e o “Z” chegando agora. Ufa! O que fazer? Talvez tenha chegado a hora de buscarmos o foco naquilo que queremos. Saiba que, mesmo num mundo fora de foco, você pode ajustar sua lente na direção de seus sonhos. Afinal, “em terra sem foco, quem ajusta sua lente vira rei!”.
Edison Andrades é escritor, palestrante e sócio da Reciclare Treinamento. www.facebook.com/professor.edison.andrades