Na linha de frente do negócio

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Quais são as empresas que conseguem sobreviver às várias turbulências de mercado? De acordo com consultores de mercado, são aquelas que têm metodologias estruturadas, conhecimentos técnicos suficientes para propor alterações de processos e, principalmente, liderança. Foi assim que a rede Blue Tree Hotels, segunda maior rede hoteleira do País, gerou, unindo necessidade estratégica e experiência e capacidade em administrar seu patrimônio, um modelo de gestão empresarial, em um período de dois anos. O resultado foi eficiência e uma nova iniciativa empreendedora, com a disponibilização ao mercado do expertise acumulado através da BMI (Business Management Institute), uma consultoria apta a transferir conhecimento e desenvolver soluções gerenciais. Com restrição à concorrência, claro.
E o negócio, que recebeu o apoio imediato e acabou capitaneado pela empreendedora Chieko Aoki, presidente do Grupo Blue Tree Hotels, objetiva ainda estabelecer um novo conceito de consultoria empresarial, voltado às grandes, médias e pequenas empresas. A BMI foi criada para explorar dois importantes diferenciais: oferecer o conhecimento de profissionais com vivência em gestão corporativa e a implantar um software exclusivo de gestão – que nasceu da expertise adquirida no case do Blue Tree -, capaz de indicar todas as necessidades administrativas do negócio. “Estou convicta de que o diferencial das organizações de sucesso é a forma como transformam ações em resultados. Para isso, é necessário transformar toda informação disponível em conhecimento, realizar análises consistentes e ser rápido em sua implementação”, esclarece a empresária Chieko. A metodologia, com o case da rede Blue Tree, ganhou adeptos antes mesmo da consultoria ser oficialmente lançada ao mercado, ganhando clientes como Casa do Pão de Queijo, Submarino, Jin-Jin & Morana, Sovay Indupa, United Mills, por exemplo.
Só para citar um exemplo do avanço do projeto implementado, Chieko Aoki, quando viaja com freqüência a negócios ao Japão, consegue ver em seu lap-top como estão todos os indicadores dos executivos da empresa, no Brasil. Isso, na hora em que ela quiser e em tempo real. “Pela internet, com uma senha, ela pode entrar no programa que fica hospedado na empresa e sugerir ações em qualquer hotel de sua rede. Isto é gerenciamento em longa distância”, explica Mário Lúcio de Oliveira, contratado para pilotar o negócio e que assumiu como diretor da BMI. Este modelo, de acordo com ele, foi possível graças à automatização do processo desenvolvido e que pode ser moldado, por isso, a qualquer modelo de negócio. “É a tecnologia agregada ao conhecimento”, justifica.
A solução implementada na gestão empresarial tem por finalidade descrever todos os dados para manter a conservação do patrimônio. Segundo Mário Lúcio, mensalmente são consultados os indicadores instalados para cada hotel, que ainda tem como objetivo desenvolver uma função preventiva. “Se não está 100%, vai acusar no indicador um sinal vermelho. Qualquer ação feita, por qualquer pessoa dentro do sistema corporativo, estará linkada na meta global”, ressalta.
Todo este processo de tecnologia, conta Mário Lúcio, não é possível com apenas a utilização do software. É preciso o conhecimento. “Nós não somos uma empresa de software. Nós somos uma empresa que faz consultoria, onde a ferramenta utilizada se transforma um meio para consolidar o trabalho”, pondera. O indispensável no modelo é a metodologia internalizada para explorar a tecnologia.
Atingindo as metas – Para o vice-presidente do Blue Tree Hotels, Jorge Nishimura, que há dois anos acompanhou a implementação nos hotéis do processo empresarial da BMI, a organização já vem sentindo os efeitos e hoje só se preocupa com a gestão de resultados. “Nós estamos atingindo as metas. As próprias pessoas do departamento de reservas fazem e definem as ações para atingirem as metas acumuladas do ano. Uma coisa importante do atendimento é o papel do gerente de fazer o “coaching”. Ele responsabiliza-se por ajudar a atingir os resultados. Isto é uma coisa super-importante, porque mudou completamente a cultura da empresa”, analisa.
Jorge admite que no início houve um esforço muito grande para mudar o antigo conceito da empresa. “Antes, o processo era muito complicado, até porque não conseguíamos ter uma visão certa da funcionalidade dos departamentos”, lembra, acrescentando que hoje as coisas já vêm detalhadas, tanto dos departamentos, gerência geral, setor regional, diretoria e também da presidência. Com o sistema implantado, atualmente a presidência faz uso de seus indicadores consolidados. É só acessar e ver se os hotéis de forma particular conseguiram atingir seus resultados e se o grupo, de forma mais global, não está atingindo. “Ou, também, se a Chieko e a vice-presidência não estão acompanhando as metas da empresa. Então, ela (a presidente) também tem que estar em cima para rever toda a ação”, explica. “A metodologia implementada permite fazer essa radiografia completa, com identificação de responsabilidades, permite gerar ações e criar uma base de dados das decisões tomadas por todos para corrigir determinados problemas. E ela fica disponível a todos para ser usada como benchmark”, acrescenta.
Para a BMI, a maioria das empresas encontra dificuldade em gerenciar todos os níveis hierárquicos em virtude da complexidade de toda a organização. De acordo com Mário Lúcio, para atingir as suas metas as organizações têm que basearem-se em três fatores: método de gestão, liderança e conhecimento. “Se estes três fatores básicos não andarem em conjunto, a empresa não vai a lugar algum”, observa o diretor, lembrando, por exemplo, que é comum algumas empresas tenham métodos para gerenciar os negócios e o conhecimento técnico, mas lhes falta liderança.
Diagnóstico – A fase inicial do processo de consultoria da BMI é encontrar as variáveis que impactam o lucro da empresa. A primeira ação é fazer uma auditoria a fim de identificar se a origem de possíveis problemas é o baixo faturamento, alto custo, custo variável, formação de cliente ou capital empregado. “A partir deste diagnóstico passamos a focar o problema da organização e construir um modelo gerencial”, diz Mário Lúcio, informando que o tempo de uma consultoria dentro de uma empresa depende de sua complexidade.
O processo de análise de uma empresa que não está gerando resultado é trabalhoso. Exige disciplina, dedicação e, acima de tudo, tempo. Este é o papel do consultor, pois, na maioria das vezes, as empresas sabem dos problemas, mas não possuem metodologia para aplicar. Aí entra em ação o trabalho de análise da consultoria da BMI, com a missão de levantar todo o problema e transmitir um conhecimento para haver uma gestão consistente.
Por isso, o processo de análise não termina quando o problema é apontado. É preciso dar ao cliente instrumentos na qual o processo de geração de resultados possa ser sempre atingido. “Portanto, é montado um plano de ação para educar e treinar as pessoas em seus respectivos departamentos. No final, a empresa não deve ficar dependente do consultor, pois quando ele sair, o processo pára e isso é ruim”, diz Mário Lúcio. “A metodologia do conhecimento e o software permitem que a empresa assuma seu processo de gerenciamento eficaz. Mas, mesmo assim é preciso de uma liderança forte”, lembra.