Novo nicho para a recuperação de crédito

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Conforme dados do Banco Central do Brasil, o crédito corporativo atingiu mais de R$ 470 bilhões no final de 2008, o que representa crescimento médio de mais de 15% ao ano nos últimos cinco anos. Trata-se de uma grande marca, considerando-se que as chamadas PMEs não tinham fácil acesso ao crédito e financiavam suas necessidades de capital de giro com capital próprio, utilizando o crédito de fornecedores ou administrando de forma estratégica o pagamento dos impostos. Um longo período de bonança no mercado, fartura de liquidez e redução das taxas de juros garantiram às empresas dinheiro fácil, não obstante o fato de que algumas enfrentassem problemas de governança corporativa, transparência e profissionalização. Bancos médios, fundos de recebíveis e as clássicas factoring encontraram nessas empresas um lucrativo nicho de mercado, cobrando spreads interessantíssimos em operações, na maioria das vezes, autoliquidáveis. Nessa onda, os demais financiadores, entre eles grande bancos nacionais e fundos especializados, passaram a financiar de forma expressiva as PMEs nacionais.

Porém, desde a explosão da crise internacional, o crédito se evaporou. Se grandes empresas estão enfrentando dificuldades para rolarem as linhas de créditos que vencem, imaginem as pequenas e médias. A situação vem se deteriorando diariamente com anúncios contínuos de empresas de vários setores demitindo, sob o argumento de readequar a estrutura de custos fixos à drástica queda da demanda. Outras se amparam na Lei, entrando em recuperação judicial como forma de amenizar a pressão de protestos e pedidos de falências ou buscam um acordo com os credores.

Como previsível, as instituições e fundos que financiaram o nicho corporativo estão enfrentando pressões nas próprias carteiras, tendo de negociar soluções com dezenas ou centenas de devedores para evitar prejuízo. É aqui que se abrem perspectivas relevantes para a cobrança especializada na recuperação do crédito corporativo, considerando que os bancos, especialmente os médios ou pequenos, não possuem uma estrutura interna suficientemente dimensionada para encarar a dimensão dos problemas, que devem se agravar ao longo de 2009.

Seria melhor definir a cobrança de crédito corporativo como recuperação de crédito. Trata-se de uma diferença não sutil, mas substancial. A recuperação de crédito corporativo comporta a combinação de skills jurídicos e financeiros especializados, além de uma estrutura logística local, isto é, que negocia presencialmente com os devedores ou atende aos processos de recuperação legal localmente.

Assim, os times de recuperação de créditos corporativos devem contar com recursos humanos que saibam analisar de forma precisa a situação da empresa inadimplente, encontrando pessoalmente os executivos, os donos ou os advogados do devedor para checar a capacidade de pagamento da empresa, a existência de potenciais garantias complementares e a conveniência de recorrer à justiça em contraposição aos processos de negociação amigável. A recuperação dos créditos corporativos traz ótimas oportunidades de negócios. A prova está na crescente demanda por boutiques especializadas, pois as estruturas internas dos bancos não suportam o previsível incremento de casos que surgirão neste ano.

Mesmo em meio à crise existe a oportunidade de ampliar o mundo da cobrança, gerando novos negócios e postos de trabalho especialmente para quem preventivamente tinha já se preparado para essa oportunidade.

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