Otimismo bate maior índice dos últimos cinco anos

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O otimismo dos consumidores mantém-se elevado depois das festas de fim de ano e garante um ambiente bastante positivo no início de 2004, de acordo com o Índice de Intenções do Consumidor (IIC), apurado pela Fecomercio SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo). O indicador atingiu 127,29 pontos em janeiro deste ano, o maior patamar desde 1999. Em relação a dezembro de 2003, o IIC teve alta de 7,04%, quando ficou em 118,92 pontos, numa escala que varia de 0 (maior grau de pessimismo) a 200 (otimismo total).
Comparado a janeiro do ano passado, o crescimento do IIC foi ainda maior e alcançou 11,07%. Naquele mês, havia ficado em 114,6 pontos. De acordo com a assessoria econômica da Fecomercio SP, essa alta pode ser explicada, de certa forma, pelo voto de confiança que a população dá ao governo federal e, especialmente, à Lula no começo do seu segundo ano de mandato, apesar do grande otimismo já existente depois da posse do presidente. Na avaliação dos economistas da entidade, após os 12 primeiros meses de governo, quando a política econômica foi bastante restritiva e garantiu bons resultados na área macroeconômica, a população espera que existam condições para melhoria dos indicadores, como emprego e renda, a partir de 2004.
A expectativa por dias melhores está comprovada no aumento exacerbado do otimismo do consumidor no longo prazo, que alcançou 145,13 pontos em janeiro. A avaliação do cenário atual atingiu patamar de 100,54 pontos e ainda mantém-se distante do verificado na expectativa futura, a exemplo do ocorrido em 2003, quase no nível pessimista. O otimismo verificado neste mês, portanto, deve-se ao alto grau da perspectiva futura, que tem peso maior (60%) na composição do IIC.
Com o resultado de janeiro, o IIC completa o terceiro mês consecutivo de alta, após ter registrado elevações e quedas ao longo de 2003. Tanto as mulheres quanto os homens mantêm-se no patamar alto de otimismo, na faixa dos 127 pontos, segundo a pesquisa realizada com 900 consumidores na região metropolitana de São Paulo. As pessoas com renda superior a dez salários mínimos apresentam o maior grau de otimismo, no patamar de 131,36 pontos.
Segundo a assessoria econômica da Fecomercio SP, a análise feita por essa faixa tende a influenciar, com alguma defasagem, outras de renda inferior, já que o grupo têm maior acesso às informações e possibilidade de interpretá-las.
A espera de que os próximos meses sejam melhores faz com que os consumidores ainda adiem as compras. De acordo com o IIC, apenas 28% dos entrevistados pretendem adquirir um bem durável nos próximos dois meses. Entre os que estão dispostos a comprar, os campeões da preferência são DVD/Videocassete, em primeiro lugar (19,2%); e celular, em segundo (15,6%). Na avaliação dos
economistas da Fecomercio SP, essa liderança, principalmente do DVD, deve-se àqueles consumidores que adquirem os produtos pela primeira vez. A compra de itens como máquina de lavar roupas e televisão, já trata-se de troca ou reposição, num mercado de venda mais estável.
Cenário Econômico – O ambiente positivo deste início de ano pode contribuir para mais uma queda da taxa de juros. De acordo com a assessoria econômica, há espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic, atualmente em 16,5%, para 16% amanhã. A aposta é que os juros básicos cheguem ao fim do ano no patamar de 14%. “Os sinais de que a inflação está, realmente, sob controle
favorecem um ambiente positivo e a maior expectativa dos consumidores em resultados melhores em 2004. Para isto, o governo ainda tem que tomar medidas mais efetivas para a redução dos juros reais e o crescimento do País”, avalia o Presidente da Fecomercio SP, Abram Szajman. A entidade estima uma expansão de 3% para o setor neste ano, o que significaria apenas a recomposição das perdas de 2003.
Modelo – O Índice de Intenções do Consumidor (IIC) é apurado mensalmente pela Fecomercio SP na região metropolitana de São Paulo desde 1994. O IIC mede o otimismo dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação do país no médio prazo. O índice de intenções atuais considera o período de 30 dias e tem peso de 40% no cálculo do IIC, ante 60% de contribuição vinda do índice de intenções futuras, que
avalia o período de 12 meses.
O IIC varia de 0 (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Por exemplo, se o IIC estiver em 107, podemos dizer que cerca de 54% dos consumidores estão otimistas, contra 46% de pessimistas. A cada pesquisa são ouvidas cerca de 900 pessoas. A metodologia permite avaliar as respostas por idade, renda e por sexo. A margem de erro é de 3%.
A metodologia do IIC foi desenvolvida com base no Consumer Confidence Index, índice norte-americano que surgiu em 1950 na Universidade de Michigan. No início da década de 90, a equipe econômica da Fecomercio SP adaptou a metodologia da pesquisa norte-americana à realidade brasileira. Atualmente, o índice da Federação é usado como referência nas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), responsável pela definição da taxa de juros no país, a exemplo do que ocorre com o aproveitamento do CCI pelo banco central americano.