Status Skills 2, a missão: onde e como procurar

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Onde é mesmo que estávamos? Ah, sim, discutindo novos formatos para gerar identidade com o consumidor. Vocês hão de concordar comigo que é uma tarefa cada vez mais difícil. Os recursos que a publicidade televisiva utiliza , por exemplo, têm efeito cada vez mais, digamos assim, discutível. No momento, por exemplo, há pelo menos três anunciantes no ar com comerciais onde multidões de esferas, disfarçadas ou não, tomam a tela da tv.

Como trabalho no meio, e julgo ter o distanciamento necessário para compreender os movimentos subterrâneos do processo de criação de comerciais que é muito influenciado pelos meios técnicos disponíveis, tenho certeza que essa “coincidência criativa” é o resultado da paixonite por algum novo programa que conseguiu finalmente uma tridimensionalidade perfeita em imagens esféricas.

O problema, nesse caso, é como fazer o consumidor se identificar com a marca se esse processo exige, no ponto de partida, que ele a diferencie dos concorrentes. E aí é exatamente onde estávamos no artigo anterior, a necessidade de gerar, em vez de “eu sei o que é”, o “eu sei como”.

Como disse lá no mês passado, há três grandes grupos de fornecedores de “status skills”. O primeiro é o de Fornecedores Dedicados, empresas que já foram criadas com esse modelo de negócio. A Crushpad (www.crushpadwine.com), por exemplo, que fica no centro de San Francisco, ajuda restaurateurs, negociantes de vinhos e mortais em geral a criarem seus próprios vinhos, oferecendo equipamento, expertise e uvas selecionadas. Se você é como eu e não tem a sorte de morar naquela cidade fantástica, pode fazer cursos online. Da mesma maneira, a Whisky School (www.whisky.co.uk/distillery/whiskyschool.html) ajuda você a criar seu próprio whisky. Por 395 libras, você faz um curso de três dias e ainda sai com uma amostra do seu próprio whisky.

Nessa mesma direção, estão surgindo muitos modelos mais gerais. O site Instructables (www.instructables.com) define-se como “step-by-step collaboration”. Você aprende a fazer todo tipo de “stuffs”, coisas, para você e para seus negócios. No WikiHow (www.wikihow.com), você encontra manuais sobre tudo. O Switch (www.iheartswitch.com) é um “faça-você-mesmo” de moda, tecnologia e inovações, voltado para o público feminino jovem.

Outro grupo é o de espaços que permitem aos consumidores mostrar suas habilidades. Não deixa de ser uma evolução dos velhos show de talentos e, até por isso, sinto-me atraído a incluir aqui programas como American Idol (www.americanidol.com) , Dance (www.fox.com/dance), e Masterchefs! (www.bbc.co.uk/food/tv_and_radio/masterchef). Os melhores exemplos do processo de status skills, no entanto, são sites como Wikipedia (www.wikipedia.com) – “participe da criação e do enriquecimento de uma verdadeira enciclopédia”, Pure Volume (www.purevolume.com) – “produza seu próprio disco”, Lulu (www.lulu.com) – “edite seu próprio livro”, FlickR (www.flickr.com) e, last but not least, YouTube (www.youtube.com).

O grupo que nos interessa mais de perto, no entanto, é o de marcas estabelecidas cujas estratégias de fidelização oferecem aos consumidores a possibilidade de adquirir as habilidades necessárias para usar melhor os seus produtos. No próximo artigo, vamos descrever algumas dessas experiências, como Audi Driving Experience, Nikon School, Apple’s Workshops, Kodak’s One Gallery, Google Analytics Conversion University e até mesmo uma experiência brasileira, a loja InnHype.

Até lá.

Fernando Guimarães é consultor de Marketing e Comunicação, redator de Publicidade e Marketing Direto, especialista em Marketing de Relacionamento. Email: [email protected]