Como medir o valor de redes sociais?

Entre as redes sociais que participo, uma das mais interessantes, embora pouco conhecida, é a Peabirus (caminhos, em tupi-guarani). Mais do que brasileira, é bem paulista e com penetração maior entre profissionais ligados ao agronegócio. Sexta-passada, um desses profissionais, Paulo Henrique Leme, publicou um artigo interessantíssimo na Comunidade Manejo, que vou reproduzir abaixo. Ainda que haja algumas referências cifradas, vale a pena a leitura.

Usar métricas quantitativas para medir um fenômeno social é na
maioria das vezes atirar pedra num poço sem fundo: você nunca vai saber o
tamanho real da cratera.

Quando olhamos uma rede social “por cima”, através de uma foto,
estamos omitindo o valor mais relevante da rede, que é o usuário. Cada
indivíduo da rede a utiliza de forma diferente, portanto, para cada
usuário, o que vale é uma métrica diferente.

Qual o impacto de uma notícia divulgada na rede na vida de cada usuário?

Qual o impacto de um debate?

Quantos negócios começaram através de um contato em rede?

Quantos negócios foram concretizados?

Quantos laços fracos se tornaram fortes virtualmente ou através de um encontro na vida real, em algum simpósio da vida?

É possível medir estas valiosas interações através de mensagens
trocadas e métricas de distância ou algo do gênero? Na minha opinião,
não.

Estas métricas ajudam a compreender a estrutura da rede. E este é o
grande valor do trabalho de nossa colega Heloísa. Ela demonstrou
claramente que a fraqueza da Rede Cafés do Brasil recai sobre sua
estrutura: (1) A rede foi criada de cima para baixo, com várias
comunidades inúteis, que desde o início nunca significaram nada e com
mediadores que não queriam ser mediadores, (2) A estrutura física do
Peabirus é péssima para favorecer a comunicação entre os membros da
rede.

E mesmo com esta estrutura deficiente, a rede conseguiu se modificar,
os usuários encontraram seu caminho, fizeram contatos e o resultado
está aí: basta ver as respostas aos 2 tópicos sobre o assunto que foram
movimentados pelo moderador da comunidade.

Ou seja, não é porque a estrtura chamada “Rede Cafés do Brasil” não
funciona que a rede perdeu seu valor. Afinal, as interações ocorrem  na
comunidade do Manejo.

As conclusões do estudo permitem responder a perguntas sobre a
estrutura da rede, não sobre seu valor como fenômeno social. Esse é o
grande mérito do trabalho: não basta ter a estrutura de uma rede para
ser uma rede…. O Peabirus tá cheio desses exemplos.

A análise qualitativa de rede está sendo construída agora, pelos
próprios usuários e medir o seu valor é errar sempre, pois a rede está
em constante mutação.