O começo do fim do Facebook

Facebook hype will fade

(O artigo
abaixo, escrito por Douglas Rushkoff, escritor, autor de “Life Inc: How Corporatism Conquered
the World and How We Can Take it Back”
  e “Program or Be Programmed: Ten Commands for a Digital Age”,
e publicado dia 7 de janeiro no site CNN.com, é quase um corolário do último post
publicado aqui sobre os comentário do Jon Stewart, do The Daily
Show)

Todos os
sinais parecem indicar que o Facebook está disparando para o alto.

A escolha
de Mark Zuckerberg como a Pessoa do Ano da Time, o filme sobre que pode se
tornar um vencedor do Oscar e agora o Goldman Sachs está levantando US$1.5 bilhão
de seus investidores favoritos em nome da rede social.

No mesmo
e exato momento, o único concorrente real do Facebook – MySpace, a minguante
rede social da NewsCorps – está diminuindo funcionários e despesas, muito
provavelmente à espera de uma liquidação.

Mas as
aparências podem enganar. Segundo minha leitura da situação, nós estamos
testemunhando o começo do fim do Facebook. Esses não são os sintomas de uma
empresa que está vencendo, mas de uma que está procurando dinheiro.

De fato,
11 anos atrás, completados esta semana, quando a AOL anunciou sua fusão de US$350
bilhões com a Time Warner, o New York Times me pediu um artigo em que eu
explicasse o que significava realmente um negócio entre empresas da velha e da
nova mídia. Eu que a AOL estava financiando-se através da superavaliação que o
sobrenome dotcom lhe garantia a comprar um pedaço de uma companhia de mídia
“real”, com estúdios de cinema, parques temáticos e até cabo. Resumindo,
o negócio queria dizer que a AOL sabia que seu reinado terminara.

O Times nunca
publicou a peça. Naturalmente, a fusão virou um desastre: o fluxo de receitas
da AOL foi reduzido a uma gota à medida em que os usuários da net passaram a

Da mesma
maneira, a compra de MySpace por Rupert Murdoch em 2005 por US$580 milhões coincidiu
quase exatamente com o pico de popularidade do site. As pessoas culparam a
corporação pelo fracasso da rede, mas o ciclo já havia começado.

Agora, é
a vez do Facebook. As notícias desta semana são que o Goldman Sachs escolheu
investor no Facebook enquanto suplicava a outros que fizessem o mesmo deveria
inspirar tanta confiança como seus investimentos no mercado hipotecário em 2008.
Para quem não assistiu, foi quando o Goldman ficou rico apostando contra os
investimentos que estava vendendo.

Dessa
vez, o Goldman está colocando alguns milhões seus – como se essa cara nova do
jogo significasse que eles não usariam seus velhos truques. Mas as comissões e
as taxas de ‘underwriting’ que o está ganhando por vender aquelas outras
participações privadas do Facebook no valor de US$1.5 bilhão pode ser
suficiente para equilibrar o custo do seu próprio investimento. E as apostas
contra o Facebook podem ser alavacadas muitas vezes.

Esses são
os tipos de pontos que aqueles de nós que presenciaram a fusão AOL-Time Warner
merger, o negócio com MySpace e o restante dos “crashes” das dotcom e do
mercado imobiliário levantam agora sobre tais negócios. Esses são precisamente
os tipos de pontos que não estão claros sob o novo, privatizado e profundamente
opaco esquema desenhado pelo Goldman em nome de seu cliente Facebook.

Diferentemente
de uma oferta pública de ações, essa oferta privada aos clientes do Goldman não
obriga o Facebook a ser claro sobre seus lucros reais. Não tem que se submeter
às práticas padrão de contabilidade, ou indicar se está ou não indo bem. Permanece
na nuvem segura da onda que protege tais empreendimentos até que eles ou fazem
um lucro real ou morrem tentando.

O objeto
do jogo, para qualquer uma dessas em última instância temporárias redes
sociais, é criar a ilusão que são diferentes, permanentes, invencíveis e muito
grandes para falhar. E, a bem da verdade, o Facebook foi tão longe quanto
qualquer uma delas que tenha criado aquela ilusão.

Se você
estava aí no tempo de Compuserve, AOL, Tripod, Friendster, Orkut, MySpace ou
LinkedIn, você deve ter acreditado a mesma coisa sobre qualquer uma dessas
redes sociais. Lembra quando aqueles CD Roms da AOL chegavam pelo correio quase
todo dia? A empresa era considera ubíqua, invencível. O antigo CEO da AOL CEO,
Steve Case, era um gênio tal qual Mark Zuckerberg.

Outra
confirmação adicional de que a onda e o mercado atingiram seu pico é o fato da
rede social concorrente estar manobrando seu próprio IPO, que provavelmente
estará completo antes do Facebook e eventualmente envenene o poço. Essas
empresas estão sendo avaliadas como se elas fossem os meios permanents de nos
identificar.

No
entanto, as mídias sociais são em si mesmas tão temporárias como qualquer
reunião social, clube noturno ou festa. O que conta são as pessoas não o lugar.
Assim, quando os “trend leaders” de um nicho social decidem que o lugar onde
todos estão socializando perdeu seu atrativo ou, mais importante, sua
exclusividade, eles se mudam para o próximo, levando seus seguidores com eles.
(O sucesso do Facebook sem dúvida fornecerá um “aplicativo de migração” através
do qual você você poderá levar seus assim chamados amigos com você, se quiser.)

Nós nos
mudaremos, da mesma maneira que fizemos dos chat rooms da AOL, sem sequer olhar
para trás. Quando o lugar é tão etéreo quanto um website, nossa ligação é muito
mais abstrata do que a que temos com um bar local ou uma academia. Nós não
vivemos lá, não conhecemos o dono e não estamos dispostos a aguentar as últimas
alterações na política de privaciade, ou a descobrir que cada um das nossas
conexões sociais foi vendida pelo lance corporativo mais alto.

Assim,
não é que MySpace perdeu e Facebook ganhou. É que MySpace ganhou primeiro e Facebook
ganhou em seguida.
Eles afundarão na mesma ordem.

Quanto
mais uma empresa possa manter a ilusão de grandes lucros sem alienar sua base
de usuários, mais ela poderá adiar o declínio inevitável. Mas dado que Facebook
já começou a trocar suas fichas, aquele momento provavelmente chegou.