Pequenos gestos



Algum tempo atrás, fiz uma crítica ao Pão de Açúcar. Incomodava-me, e incomoda-me, a explicitação do desconto exclusivo para “clientes mais”. Senti-me “cliente menos”, dizia então. Mas o fato é que a localização do Pão de Açúcar do Largo Ana Rosa é fantástica. E os três principais diferenciais de um varejo, já dizia um guru da área, são localização, localização e localização. Daí, o fato de reclamar com meus botões, e com este blog, mas permanecer cliente daquela loja em especial.

 

No sábado, passei lá. Por volta do meio dia. Voltava do passeio semanal quase obrigatório pela Santa Ifigênia. De metrô, como rapaz civilizado. Queria comprar cerveja e aproveitei para ligar para casa e pegar uma pequena lista de compras. Terminou que saí de lá com uns seis ou sete pacotes. Que teriam que ser sete ou oito, como verifiquei ao chegar em casa: esquecera um deles no caixa.

 

Passei o final de semana ensaiando voltar lá, mas havia sido apenas uns pacotes de papel higiênico e eu não fazia a menor fé que tivessem sido guardados. Finalmente, ontem no começo da noite, lá estava eu outra vez na Estação Ana Rosa, voltando de um advogado (outro dia conto essa aventura), e resolvi, por desencargo de consciência, passar na loja e perguntar. Fui no caixa onde teria esquecido e ela me encaminhou à supervisora. A mocinha, Adriane, simpática, verificou suas anotações – à mão, em um caderno, mas tudo muito bem organizado – e lá estava a anotação do meu pacote esquecido. Ela perguntou se eu tinha a notinha, claro que eu não tinha, mas ela anotou ok assim mesmo e autorizou que eu pegasse o produto.

 

Saí de lá um pouquinho mais cliente do supermercado.