Por trás do consenso, a tensao entre passado e futuro



(como prometi, eis o artigo do Luiz Alberto Marinho. Concordo com praticamente tudo.)

 

 No 4º Congresso Brasileiro de Publicidade, que se encerrou na 4a feira, em Sao Paulo, os cardeais da propaganda tomaram várias decisoes importantes. Firmaram posiçao contra as tentativas do governo de impor restriçoes as campanhas de determinados produtos, recomendaram que agências, seus clientes e fornecedores abracem práticas sustentáveis, propuseram a atualizaçao dos currículos das faculdades de comunicaçao, protestaram contra a carga tributária que incide sobre suas receitas e ensaiaram um movimento para evitar abusos em concorrências privadas, entre outras coisas.

Porém, por trás desse consenso e da unidade demonstrada pela indústria da propaganda ao longo dos 3 dias de evento, foi possível observar nitidamente 2 correntes entre as lideranças do setor – uma conservadora, protecionista, segregacionista e até um pouco arrogante e outra mais antenada com o novo cenário da comunicaçao, corajosa e integradora. Enquanto uma tentava manter as conquistas do passado a outra olhava adiante – para os desafios do futuro.


O lado progressista falava sobre todos nós, discursava sobre o fim das linhas e a integraçao das disciplinas, analisava a mistura entre mídia e conteúdo, defendia os mercados regionais e alertava para os prejuízos que a propaganda pode sofrer se perder o respeito e a conexao com os consumidores, cada vez mais conscientes e participativos. Já o partido conservador insistia no discurso do ‘nós e eles’, sugeria que o povo do below the line corresse atrás da sua remuneraçao, porque a propaganda já tinha resolvido o seu problema, propunha a volta da reserva de mercado para as produtoras nacionais e tratava de misturar alhos com bugalhos, colocando no mesmo saco de gatos iniciativas estapafúrdias, como a tentativa de proibir toda e qualquer publicidade voltada para crianças, com outras que merecem ser discutidas, como é a questao da comunicaçao de bebidas alcoólicas.

Nao preciso nem dizer que a corrente progressista era minoria, nao é mesmo? Mas posso garantir que ela foi responsável pelos melhores momentos do congresso. Um bom exemplo desse pensamento voltado para o futuro foi o lançamento do ‘Manifesto Bossa Nova por uma Criatividade Brasileira Mundial’, promovida pela comissao presidida por NIzan Guanaes. O que esse manifesto sugere é que o Brasil, que já é reconhecido mundialmente pela criatividade de sua música, dos seus atletas, dos seus designers, dos seus eventos e também de sua propaganda, adote o posicionamento de um país que é criativo em tudo o que faz, como se isso fosse um selo de qualidade aplicado aos produtos, serviços e profissionais brasileiros. Em resumo, ao invés de tentar proteger o negócio, esse grupo prefere promover o talento, na certeza de que é ele o fator com mais capacidade de alavancar novos negócios. Tese com a qual eu concordo 100%.