Rede americana de supermercados vai recompensar pagamentos em dinheiro

Consumidoras fazem compras em Kroger de St. Thomas

Formas de pagamento e programas de fidelidade são dois temas interligados. Por isso, é importante acompanhar o movimento iniciado pela Kroger, simplesmente a maior cadeia americana de “groceries”, ou seja, supermercados em que o forte é a parte de mercearia e não eletrônicos ou outros tipos de produtos.

De acordo com um artigo publicado no domingo no Cincinnati.com, a rede anunciou que pretende oferecer descontos aos clientes que pagam em dinheiro em vez de utilizar cartões. A intenção decorre do acordo de US$ 7 bi proposto para acabar com uma disputa sobre as taxas cobradas pela Visa, MasterCard e grandes bancos de varejo em todo o país.

Um acordo que pode sair caro para o consumidor

O acordo pode significar uma grande economia para empresas como a Kroger, cujo faturamento está na casa dos 90 bilhões de dólares por ano e que afirma pagar “centenas de milhões de dólares” em comissões anualmente para as empresas de cartão de crédito. Mas, ainda segundo o jornal, por enquanto, é muito cedo para saber exatamente quais as economias – ou custos – pode sobrar para os consumidores como resultado do negócio. Keith Dailey, um porta-voz da Kroger, falou ao Cincinnati News que “há muito trabalho a fazer antes de tomar qualquer decisão final”.

Parece haver um consenso: cobrar menos para os pagamentos com dinheiro seria uma mudança drástica na psicologia de varejo do país. Durante anos, tanto os varejistas quanto os próprios consumidores americanos foram se afastando de transações em espécie, preferindo a facilidade e comodidade que os cartões de crédito oferecem.

Quanto custa a conveniência?

Em média, os varejistas pagam cerca de 2 por cento de cada transação com cartão de crédito Visa ou MasterCard para processar uma venda. E eles eram impedidos de repassar esses custos para os seus clientes pelos contratos.

O acordo, proposto pelas empresas de cartão, ainda tem que receber a aprovação final de um juiz do tribunal federal em Brooklyn, que permitiria aos varejistas pela primeira vez repassar essas taxas para seus clientes.

Um cliente que pagar US$ 100, por exemplo, com o seu cartão de crédito poderá ser cobrado com um adicional de US$ 2,50 para cobrir a taxa, de acordo com os termos do acordo. Mas as sobretaxas só poderiam ser utilizadas ​​em estados que as permitem para certos serviços, que como é caso de Ohio e Kentucky.

Kroger não informou se pretende impor uma sobretaxa, mas disse que está explorando opções que incluem a oferta de descontos para os compradores de dinheiro e usuários de determinados cartões de crédito que cobram taxas mais baixas. “O acordo vai ajudar a reduzir nossos custos, e isso irá beneficiar nossos clientes, em muitos aspectos”, disse Dailey.

Os defensores do acordo proposto, que inclui a Kroger, dizem que a capacidade de cobrar os clientes que usam um cartão de crédito não irá necessariamente resultar em custos mais elevados para os consumidores. Em vez disso, ele poderia ser usado como ferramenta de negociação por comerciantes com empresas de cartão de crédito para manter taxas baixas. A teoria é que os consumidores optariam por cartões com taxas mais baixas, incentivando assim as empresas de cartão a reduzir suas taxas.

Problemas no paraíso

A National Retail Federation, no entanto, enxerga muitos obstáculos no caminho da negociação. Entre eles, afirmou Mallory Duncan, vice-presidente sênior da NRF, está a exigência dos comerciantes que repassarem a sobretaxa de um MasterCard ou Visa fazer o mesmo para todas as empresas de cartão. Mas a American Express, que não é parte desse acordo, tem uma regra própria, que proíbe os comerciantes de impor sobretaxas aos clientes, lembrou Duncan.

Se os termos do acordo forem aprovados, a Kroger acredita que seu próximo desafio será comunicar as mudanças que pretende fazer para seus clientes. “Nós queremos ter certeza de que estão plenamente informados e sabem quais são as opções disponíveis para eles que resultaria em preços com desconto”, disse Dailey.

É bom ficarmos de olho, pois o tema das taxas dos cartões está bem vivo também aqui no Brasil. E certamente vai afetar o mundo dos programas de fidelidade.