Passion economy e o futuro do trabalho

Autor convidado: Rafael Carvalho, COO da HeroSpark
Imagine trabalhar com aquilo que você mais ama. É esse o significado da Passion Economy, método que une uma paixão ou habilidade a uma oportunidade de negócio. A expressão americana nasceu no Vale do Silício, mas está ganhando cada vez mais espaço no Brasil, devido às estatísticas econômicas e o panorama sobre o emprego no país.

No primeiro trimestre de 2021 (de dezembro a fevereiro), o Brasil bateu o recorde histórico com 14,4 milhões de pessoas desempregadas, segundo os dados divulgados em abril, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012. Este cenário abriu uma brecha maior para o surgimento de novas atividades profissionais e de modelos de trabalho, como home office, híbrido e o nomadismo digital – o que também impulsionou ainda mais o movimento da ‘economia da paixão’.

Transformar atividades como jogar videogame em produção de conteúdo para as redes sociais; fazer pães e bolos em empreendimento virtual; tocar violão ou fazer churrasco em cursos online para compartilhar conhecimento com outras pessoas, tudo isso se tornou uma oportunidade de lucrar com um hobby, seja para as pessoas que precisaram começar um novo negócio, como as que mudaram de carreira ou precisaram criar uma fonte de renda extra com o objetivo de garantir mais segurança financeira.

Monetizar habilidades e capitalizar suas paixões com um propósito maior faz da passion economy uma nova modalidade de empreendedorismo. Para quem quer começar, vale dar o primeiro passo e investir. Seja por meio de e-books, audiobooks, podcasts, vídeos aulas outros infoprodutos, plataforma de negócios (empresas que funcionam como lojas ou prateleiras virtuais comercializando e monetizando produtos digitais) ou por rede de afiliados (vendedores que incentivam o consumo de infoprodutos e são comissionados pelas vendas).

Trabalhar com uma rede de valores e com aquilo que gosta é uma tendência para o futuro do trabalho e isso deve causar grandes impactos no mercado, uma vez que os trabalhos apoiados ao mundo virtual estão em ascensão. Um exemplo desse movimento é a força da internet, o Facebook, Twitter, TikTok e Instagram se tornam grandes redes, não só sociais, mas para construir vínculos e gerar lucro. Segundo o Panorama de Negócios Digitais Brasil 2020, realizado pela HeroSpark, 40% das pessoas já utilizam o Instagram como principal canal de divulgação para seus negócios digitais.

Na Passion Economy, qualquer um pode construir audiência e interações baseando-se em interesses sinceros e em comum com toda uma rede. As marcas e os criadores capitalizam isso e, ao mesmo tempo, descobrem que as paixões são um ativo muito mais valioso do que pensavam anteriormente. À primeira vista, a tendência parece enfatizar a individualidade, mas, na verdade, conecta ambos os lados dessa equação, favorece o empreendedorismo, o mercado de trabalho e dá ainda mais força às nossas paixões.