ARTIGO: Freakonomics

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Adoro ler e esse é o motivo que me encantei com esse projeto – O Clube do Livro.

  

Porém, alguns imprevistos me obrigaram a ficar “quieto” um tempo. Meu trabalho, um grande evento, o retorno ao mestado e o nascimento da minha segunda filha. Aparentemente fatos isolados, sem relação entre si, correto? Nada disso. Pelo menos, não posso garantir.

  

Pois a melhor forma de reativar as indicações é provocar o leitor e tentar entender o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta. Vivemos na era da comunicação, das redes, da informação. E para entender um pouco desta nossa loucura do mundo moderno, a minha indicação vai para um… economista? Sim, mas um economista original e politicamente incorreto – Steven D. Levitt, autor do livro Freakonomics.

  

Em termos acadêmicos, a economia estuda como as pessoas, empresas e governos fazem escolhas e como essas escolhas determinam a forma como a sociedade utiliza seus recursos. E o incentivo desempenha um papel fundamental na economia. Dentro desta análise, ao fazer escolhas, as pessoas respondem a incentivos. Isso representa o principal fator de resposta às questões polêmicas dos autores nos diversos assuntos tratados no livro. 

 


Algumas perguntas são superficiais, quase esdrúxulas. Outras abordam assuntos do cotidiano da sociedade moderna, como criminalidade, aborto, corrupção, fraudes e educação. Daí surgiu o novo campo de estudo muito bem explorado pelos autores: Freakonomics.


 



A idéia do livro Freakonomics surgiu em meados de 2003, quando o escritor e jornalista Stephen J. Dubner foi escalado para escrever mais um artigo para The New York Times Magazine. O assunto era o jovem e badalado economista Steven D. Levitt, que acabara de receber um prêmio para economistas com menos de 40 anos. Dubner ficou fascinado pela criatividade dos trabalhos do economista e por seu talento para explicar os enigmas do dia a dia. Por sua vez, Levitt descobriu que o jornalista tinha um raciocínio consistente, ao contrário de outros que conhecera em suas entrevistas mais recentes.


 


A postura atípica de Levitt foi retratada no artigo de Dubner e despertou um enorme interesse de milhares de leitores da revista. Isso resultou em uma leve pressão sobre o economista para gerar um livro, viabilizado pela parceria dos nossos autores. Desta forma, se a moralidade representava um mundo ideal, o mundo real agora seria retratado por uma “economia excêntrica”, ou melhor, Freakonomics.


 

A introdução do livro já vale a leitura, com uma visão geral sobre os diversos assuntos que serão abordados durantes os seis capítulos seguintes. O livro detalha situações inusitadas de correlação improvável entre temas contemporâneos de nossa cultura ocidental.



 


Correlação é um termo estatístico que indica se duas variáveis caminham juntas. Parodiando o excelente prefácio de Claudio L. S. Haddad, o difícil é provar a relação correta da casualidade entre os autores, dada a forte correlação deste encontro. Tão brilhante quanto aparentemente improvável.


 

Provavelmente o mais polêmico de todos os estudos conduzidos por Levitt, a relação direta entre a aprovação lei do aborto nos EUA no início dos anos 70 e a redução drástica da criminalidade nos anos subsequentes parece incontestável. Alheio aos temas morais e opiniões pessoais, o economista não apresenta porém, uma apologia ao aborto ou discriminação aos pobres e negros. Trata-se apenas de uma constatação estatística, mas que originou pesadas críticas de conservadores e liberais.


 


As fraudes são tratadas nas relações mais diversas da sociedade atual. É incrível como um algorítmo bem elaborado pode desmascarar lutadores de sumô e professores desonestos, quase que na mesma proporção. Os incentivos da vida moderna explicam desde ascenção e queda da Ku Klux Klan até a falta de dedicação de corretores de imóveis nos dias de hoje.


 


Não menos importante e polêmico, os temas relacionados a educação também geram muitas discussões. A hierarquia das gangs metropolitanas e a distribuição ineficaz de renda entre empregados e criminosos é um exemplo. E a importância relativa de um bom pai na formação do caráter das crianças transcende a simples escolha de um nome adequado para os filhos. Assim como não faltam polêmicas para pontos de vista tão difíceis,  sobram dados estatísticos para repensar a sabedoria convencional. Causas distantes e até mesmo sutis podem provocar efeitos drásticos.


 


Prepare-se para ser confundido: questionar o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta. Essa é a proposta de Freakonomics e esse é o resultado que o leitor pode esperar. Uma nova maneira de encarar um mundo confuso, complicado e enganoso. Aprendendo a formular as perguntas certas, a vida não parece indecifrável ou impenetrável. O mundo sob essa nova visão se tornará um campo muito interessante a ser explorado.

  

É pouco provável que pensar desta forma tornará sua vida muito melhor em termos materiais. Mas é possível que você se torne mais cético em relação à sabedoria convencional, tão discutida no livro. A busca por novos indícios nas verdade absolutas através das perguntas certas pode trazer um novo caminho para as suas decisões.

 

O equilíbrio entre inteligência e intuição é a formula mágica para idéias cada vez mais brilhantes.

 

 

“FREAKONOMICS – O lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta”

  Steven Levitt & Stephen Dubner

  Editora Campus – 2005 (254 páginas)