ARTIGO: O Monge e o Executivo

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Quando um tema é interessante, ele simplesmente não cansa os leitores e o público em geral. O livro “O Monge e o Executivo” permanece há mais de dois anos em todas as listas dos mais vendidos no país. Por que? Porque sempre buscamos formas mais equilibradas e exemplos que nos obriguem a repensar sobre como levamos as nossas vidas. Esse é um belo exemplo…

 

O Monge e o Executivo trata da essência da liderança servidora, um modelo tão antigo e a mesmo tempo tão atual. A ficção confunde-se com a vida real pela forma leve, agradável e realista como é abordada nesta história. Como o autor faz questão de explicar, através de um dos personagens – Leonard Hoffman, ou simplesmente o monge Simeão, estas idéais não são suas e muito menos novas.

 


A liderança servidora tem como base os conceitos e ensinamentos naquele que é tido pelo autor como o maior líder de todos os tempos: Jesus Cristo. Daí vem o primeiro grande paradigma abordado pelo livro. A visão sobre esta liderança é discutida de forma pragmática. Datas religiosas como Páscoa e Natal,e a origem do nosso calendário, confirmam que até hoje mais de dois bilhões de pessoas são influenciadas diretamente pela liderança de Jesus, ou seja, um terço de todo o planeta Terra.


 


Mas outros grandes líderes também são citados, como Gandhi e Marter Luther King, e todos apresentam um ponto em comum: a capacidade de influenciar pessoas. Esta característica é considerada uma grande virtude e suporta um dos pilares da liderança servidora, que é a autoridade. Em contraposição com o “poder”, definido como a faculdade de forçar alguém por causa da sua posição, um dos princípios da liderança servidora baseia-se na “habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de uma influência pessoal”. Mais um velho paradigma é quebrado: uma posição ou cargo de poder não lhe confere necessariamente autoridade. O poder pode ser vendido, comprado, dado ou ainda tomado. Já a autoridade, diz respeito a quem você é como pessoa, ao seu caráter e à influência que você exerce sobre os outros.


 


O autor trata também de forma brilhante, elucidativa e até didática, o significado da palavra “amor”, tanto no plano espiritual cristão quanto no conceitual. A principal lição que o monge nos oferece foi tirada do Novo Testamento: o “amor agapé“, o verdadeiro significado de “amar seu próximo”. O amor é um comportamento, sob o qual você tem controle. Nem sempre é possível controlar o sentimento em relação a outra pessoa, mas você pode decidir como se comportar em relação a ela. Aí você entende a sua essência: o amor é paciência, bondade, respeito, generosidade, perdão, honestidade, confiança e humildade. O livro nos ensina que o amor é algo que fazemos para os outros, e não o que sentimos. Comportamentos positivos acabarão produzindo sentimentos positivos e isto é uma consequência natural.


 


E por último, um conceito fundamental: liderança é uma escolha pessoal, que tem uma enorme parcela de sacrifício e dedicação. Sempre há muita coisa em jogo, as pessoas contam com você e a sua liderança. O papel do líder é extremamente exigente. O autor define, através de seu “monge”, a liderança como “a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum.” Se  a aceitarmos como uma habilidade, e não como um “dom”, esta liderança pode (e deve!) ser praticada, trabalhada e desenvolvida. Prestar atenção quando as pessoas falam com você, tratar os outros como você gostaria de ser tratado e reconhecer a importância da opinião contrária à sua, são exemplos de como praticar e desenvolver suas habilidades de liderança. Lembre-se: seus sentimentos de respeito devem se expressar através de suas ações de respeito e não apenas pelo seu discurso.


 


O caminho para a liderança passa pela autoridade, mas começa com a vontade, que são as escolhas que fazemos a respeito de nosso comportamento, aceitando a responsabilidade decorrente dessas escolhas. Um grande esforço é necessário para influenciar, prestar atenção nas pessoas e, principalmente, muita disciplina para praticar comportamentos positivos. A recompensa vem da alegria em liderar com autoridade, servindo aos outros e satisfazendo suas necessidades legítimas. Amar, servir e doar-nos pelos outros nos força a crescer. Liderar é evoluir para a maturidade espiritual e psicológica. Palavra de monge !!!

 

Marco Barcellos

 

 

 


“O MONGE E O EXECUTIVO”


James C. Hunter


Editora Sextante


 

Atual Diretor Sênior para América Latina pela TALKDESK. Fundador da agência Market 21, atuou em empresas como Cisco, Avaya, AES Eletronet, Nortel, Bay Networks e Wellfleet, além do grupo Algar. Mestre em Administração pela FGV-SP, além de graduado em Engenharia Eletrônica, com pós-graduação em Administração de Marketing e em Gestão Estratégica de RH. Atuou também como professor de Marketing Internacional na UNIP.

1 COMMENT

  1. Caro Marco, acompanho sempre seus comentários inteligentes sobre as bibliografias que lê e recomenda. Essa em especial é muito rica e profunda.

    Parabéns !

    Teleabraços!

    Julio Xavier

  2. Marco, não conhecia ainda o seu trabalho, ou melhor, esta faceta espelhada no seu blog. Gostei tanto, como leitor do livro, ainda assim, não pulei nenhuma linha de seu resumo, muito mais que uma simples sinopse, mas algo que Você deixou um rastro de coração no texto. Vou postar uma chamada em meu Blog do Varejo http://www.varejototal.zip.net , e espero receber uma visita sua lá. Se comentar – o júbilo maior de todo o blogueiro é receber um comentário – aí solto os foguetes.
    Parabéns.
    Eduardo Buys

  3. Caro Sr. Marco

    Li esse livro e também gostei muito.
    Sou novata nesta área de liderança.
    Tenho lido sobre liderança e primeiro de minha lista foi o livro em questão.
    Espero aprender muito inclusive me correspondendo com pessoas como você, que demonstram visão e sensibilidade.

    Parabéns!!!
    Abraços
    Silvânia Soares

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