Cadê o povo

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Trabalho x Emprego, o velho dilema

Qual a diferença entre trabalho e emprego?

Outro dia ouvi esta frase “todo mundo quer emprego, mas
ninguém quer trabalhar”. Foi uma dura e grave constatação. É verdade!

Tenho recebido alguns e-mails e telefonemas sobre a
dificuldade na contratação de profissionais de call center que me deixaram
preocupado. Vagas existem, aos montes, em grande quantidade em várias regiões.
Mas cadê o povo? Ninguém se habilita. E quando se candidata, não continua. E
quando continua, não dura 1 ano. Tem explicação?

Há algum tempo, temos constatado as empresas de call center
se transferirem de cidade e até de estado. Os call centers têm invadido em
massa as capitais nordestinas e as cidades do interior de São Paulo já há algum
tempo. Dois motivos principais: impostos mais baratos e profissionais que
queiram trabalhar no segmento de call center.

Ouço que o mercado está saturado em São Paulo, e não
entendo. Como o mercado de profissionais pode estar saturado em São Paulo. E os
“milhares” de adolescentes que atingem a maioridade a cada ano e que tem o
segmento de call center como primeiro emprego? O que acontece com estes jovens?
Não querem esta vida bandida?

Por que o mercado saturado de profissionais não consegue se
renovar? Não encontro resposta.

Tenho tido algumas experiências no recrutamento e seleção de
candidatos a vagas, tanto de atendimento quanto de tevevendas, que são no
mínimo esquisitas. Situações do tipo:

Situação 1: Mandou o currículo, mas não veio para a
entrevista. Ligo, o candidato desistiu. Pergunto: achou proposta melhor?
Resposta: Não, desisti mesmo. Vou procurar mais tarde.    O que
será que ele quis dizer com “mais tarde”? Desisto de perguntar.

Situação 2: Mandou o currículo, foi convidado a participar
da dinâmica, veio na dinâmica e foi embora durante o treinamento. “Êita”. Senti
uma rejeição pesada. Magoou. Ligo mais tarde e pergunto: Cara você saiu no meio
do treinamento, aconteceu alguma coisa? Resposta: Não, é que é muita coisa pra
decorar. Vou procurar outra coisa mais fácil. Sem comentários…

Situação 3: O candidato passou por todas as etapas, veio a
primeira semana e nunca mais apareceu. Estou tentando falar com ele até hoje.
Isso faz 3 meses. Agora é questão de honra!

Não há explicação. Será que esta nova geração não vê com
bons olhos este segmento?

Será que a discriminação contra o telemarketing ficou tão
grande que provocou uma rejeição definitiva?

Será que as empresas prestadoras de serviços de commodities
como telefonia, seguros, bancos em geral, tv paga prejudicaram este mercado por
não encontrar uma fórmula adequada de gestão destes profissionais?

Será que para a geração y, z, w, alfa, ômega, beta e todas
as demais, a carreira no call center não é uma opção?

Sei lá pra tudo isso. 

Só sei que eu tenho 3 vagas para consultor de vendas e 4 para
agente de relacionamento. Alguém se habilita?

1 COMMENT

  1. Walter, excelente matéria. Parabéns!

    Entendo que hoje está faltando paciência por parte dos líderes em formar esses jovens que ingressam em seu primeiro emprego neste segmento Call Center, com isto, eles de uma forma muito precoce acabam gerando o Turn Over ainda em treinamento e ou em sua experiência dos 90 dias de empresa. Não são acolhidos da forma correta, uma pena ! Pois estou neste segmento desde 95 e amo o que faço, adoro gerir pessoas e formá-las! Abração, Wagner Martins

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