Do mercado financeiro para o contact center

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Ao sair do mercado financeiro para apostar no setor de contact center, o empresário Andres Enrique Rueda Garcia acertou a tacada. “Em 1990, o mercado de capitais brasileiro passava por uma crise nunca antes vista. Insegurança e falta de recursos no setor financeiro levou a Bovespa a reunir seu staff de executivos e solicitar que fosse feito um ‘corte’ de funcionários da ordem de 50%, pois o seu caixa não suportava a situação do momento”, relembra Garcia, na época, superintendente executivo de sistemas da Bovespa. Prevendo que a situação seria momentânea, Garcia propôs a criação de uma nova empresa, comandada e suportada pelo próprio executivo, que levaria 100% do quadro de funcionários da área de sistemas. O executivo ficaria responsável por toda manutenção e desenvolvimento dos projetos de sistemas da Bolsa.

 

Por sua vez, a Bovespa pagaria o valor que se enquadrasse no seu orçamento e ele buscaria no mercado de prestação de serviços a diferença monetária para não ter que demitir nenhum funcionário. Quando a situação melhorasse, todos retornariam a Bolsa. Em agosto de 1990, a empresa Sys&Tec Projetos e Sistemas foi fundada com o objetivo principal de atender a Bovespa, iniciando com uma receita 50% inferior às suas despesas. “Graças ao reconhecimento internacional da tecnologia empregada na Bovespa aliado a uma fatia significativa de ‘sorte’, a Sys&Tec, nos seus três primeiros meses de existência, já fechava contratos para o desenvolvimento de sistemas com a Bolsa de Bilbao (Espanha) e com a Bolsa de Buenos Aires (Argentina), que permitiram suportar todo o seu quadro de funcionários se não com uma margem de lucro significativa, mas pelo menos mantendo um equilíbrio entre receita e despesa”, conta Garcia.

 

No final de 1994, a situação econômica da Bovespa já estava equacionada e praticamente todo o quadro de funcionários da Sys&Tec retornou à empresa. Apenas um pequeno núcleo permaneceu, prestando serviços na área de telefonia. A empresa sobreviveu até o início de 2000, quando, após vinte anos como executivo da área de sistemas da Bovespa, Garcia decidiu partir para novos desafios e apostou em uma empresa voltada à prestação de serviços na área de TI, sobretudo, ligada à Internet. No dia 31 de março de 2000, juntamente com Alfredo Rizkallah, na época, presidente da Bovespa, e mais cinco executivos da Bolsa, Garcia fundou a Uranet Projetos e Sistemas, que incorpora a empresa inicialmente criada em 1990.

 

“O objetivo inicial da empresa era o desenvolvimento de sistemas voltados para a Internet. Prestávamos serviços de consultoria para empresas no segmento de processos e sistemas. Foi justamente num destes clientes que a verdadeira aptidão da empresa surgiu. Fomos contratados pelo Banco Panamericano como consultores de um projeto interessante: a venda por telefone de micro-computadores, financiados para as classes C e D, o Micro do Milhão, projeto criado pelo empresário Silvio Santos. Montamos, juntamente com os profissionais do Panamericano, a operação que ainda julgamos ser um dos cases mais bem sucedidos no setor de televendas: vendas do Micro do Milhão através de consórcio. Com a expertise que tínhamos no negócio, conseguimos montar uma venda por telefone sem a necessidade da assinatura formal do contrato. Resultado: mais de 30.000 vendas em 30 dias”, comemora Garcia.

 

O sucesso foi grande que a empresa foi convidada pelo Panamericano a montar um call center, suportado pela suas próprias soluções de tecnologia, para atender a todas as operações do banco. Iniciou-se a Uranet no segmento de atendimento a clientes com 200 posições de atendimento. “Hoje, passados dez anos e com mais de 4.000 posições internas espalhadas em dois sites e mais de 3.000 posições externas com nosso software IntergrALL, ainda nos lembramos com carinho de nosso primeiro cliente, o Banco Panamericano.” No último ano, a empresa faturou cerca de 109 milhões e espera crescer 56% em relação a 2009.