Governo, tô fora!

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A CSU Cardsytem quer distância de contratos com empresas públicas. “Daqui por diante, só participaremos de licitações de empresas públicas que tenham capital aberto e que não sejam controladas pelo governo”, afirmou Marcos Ribeiro Leite, presidente e fundador da CSU, em matéria da revista Exame. Publicado na edição 940, o texto conta a experiência negativa que a empresa teve com a Caixa Econômica Federal.

 

Em 2005, às vésperas da abertura de capital, a processadora de cartões anunciou contrato com o banco, conquistado num processo de licitação, que garantiria 200 milhões de reais em receitas à empresa. Seria o maior contrato de fornecimento da história da CSU. Porém, passados alguns meses, a Caixa Econômica Federal desistiu de implantar o contrato de processamento e administração de cartões. Resultado: após cerca de 20 anos de lucros, a CSU registrou o primeiro prejuízo em 2006 e as ações começaram a despencar. A queda foi de 75% em dois anos.

 

No fim de 2006, ao concluir que o acordo não sairia do papel, Leite iniciou um trabalho para recuperar a CSU. Cada diretor recebeu metas específicas de desempenho. À diretoria de finanças, coube revisar a rentabilidade e o risco de todos os contratos. Cerca de 20% deles foram renegociados ou cancelados. A área também ficou responsável por reestruturar o departamento de call center. Unidades localizadas em Santo André, no ABC paulista, e em Curitiba foram deslocadas para Recife, onde as despesas eram menores.

 

A empresa também foi atrás de novos clientes. Em 2008, a CSU acrescentou mais 5,8 milhões de cartões à base – quase 2 000 a mais do que previa o contrato com a Caixa. O próximo passo foi convencer o mercado de que a queda de 75% no valor das ações não se justificava. A diretoria de relações com investidores recebeu a tarefa de divulgar as mudanças aos analistas e aproximar a empresa dos investidores. Décio Burd, diretor de RI da CSU, começou a fazer de três a quatro visitas diárias a bancos e corretoras e conseguiu atrair cinco analistas para acompanhar as ações, com isso aumentou a participação dos investidores institucionais locais. As ações tiveram uma valorização de 30% no primeiro trimestre. E, em 2008, a CSU siu da sequência de prejuízos e obteve um lucro de 9,5 milhões de reais.

 

Apesar da volta por cima, Marcos Leite estima que os danos da não-execução do contrato ultrapassem R$ 300 milhões. A reparação financeira está sendo cobrada na Justiça. Em dezembro do ano passado, a Caixa reabriu a mesma licitação, com um valor quase quatro vezes maior pela primeira etapa do que o oferecido à CSU mais de três anos antes. A processadora de cartões entrou com uma representação no Tribunal de Contas da União e a licitação foi suspensa. Procurados pela Exame, os executivos da Caixa não se pronunciaram sobre o assunto.

 

Aí fica a pergunta, vale a pena fechar contrato com empresas públicas?