José e os Procons, uma fábula das relações de consumo

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Já foi tempo em que o Procon era e representava entidade de real auxilio às relações de consumo e defendia realmente os intereses do consumidor. Hoje representam muito mais o fisiologismo comercial do que se constitui  um orgão executivo. Talvez sejam uma  assessoria de imprensa dos meios de consumo do que qualquer outra coisa, a contar, pelo menos, com a quantidade de vezes que aparecem nos noticiários dando palpite, conselhos, dicas ou outorgando cartilhas sobre como deve ser o comportamento do consumidor para evitar ser lesado. Aliás de novo a transferência de responsabilidade. O cliente é que precisa evitar ser lesado e não o fornecedor ser  fiscalizado para não lesar em massa como usualmente acontece.   

 

Engraçado isto, não porque este não seja também um dos objetivos do orgão, mas o que se espera realmente  dele é que através de suas ações ajude a punir exemplarmente aqueles que ferem o direito do consumidor, usam da boa fé e as vezes de um bom nome para enganar o cliente. Não se espera que seja mais um departamento burocrático que somente cumpre regras e encaminha documentos.

 

Se cada cliente que fosse lesado, denunciasse imediatamente e de forma rápida tivesse a procedência da queixa validada, quanto mais rápido uma centena de outros clientes deixaria de sê-lo. Mas não, ao invés de avaliar a procedência passa-se a questionar o cliente e a sua razão solicitando papéis , comprovantes e um monte de outras documentações inúteis ou sem sentido  para atestar que o dito não está mentindo. Aliás mais um exemplo de que se gasta mais dinheiro e tempo para se desconfiar dos inocentes do que punir os culpados.

 

Um exemplo patético e recente foi a participação do Procon na questão das malas roubadas no aeroporto. Gente, as malas foram roubadas dentro do aeroporto, por pessoal contratado pelas empresas de aviação ou até pela Infraero. Como acreditar que seria possível tamanho assinte de serem ladrões tão descarados. Pois foi verdade e ao invés de ouvirmos quais as providências que serão tomadas para punir os responsáveis pela contratações e por não fiscalizar adequadamente uma função tão sensível, fomos obrigados a ouvir um rosário de instruções de como proceder para minimizar os efeitos do sinistro. Eu nunca tive uma mala desaparecida por conta de extravio no sistema de transporte, algumas pessoas já tiveram e sabem o que é isso. Não precisamos de cartilha. Precisamos sim, que o Procon cumpra o seu papel. Papel este que de tão pífio ninguém mais acredita.

 

Tal como na história de José e os Lobos, o menino tanto gritava é o lobo, é o lobo que ninguém mais dava bola. É a mesma coisa com o Procon, fala muito e de tanto que fala, empresas já tiram sarro quando você diz que vai denunciar. A última, hoje mesmo, em um fornecedor de móveis. Isso aqueles mesmos que você paga e fica esperando eles entregarem quando tiverem vontade. Ouvi de um o seguinte: “vá mesmo e rápido pro Procon, você pensa que eles vão te ajudar, vão me ajudar… eles vão pedir 60 dias para resolver o seu problema….”  e deu risada.  Pois é … isso mesmo 60 dias… é ridículo!!!!  Defesa de quem mesmo?

 

Até a próxima!