Alternativa própria

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Com todas as carteiras de crédito limitadas, devido à recessão enfrentada pelo País, alguns setores que foram beneficiados com a abundância nos últimos anos, tiveram que buscar alternativas para manter seu negócio aquecido. Exemplo disso é o mercado imobiliário, que teve um forte incentivo financeiro, mas sofreu com a queda bruta e a chamada “bolha imobiliária”. Dessa forma, por mais que os consumidores ainda desejem realizar o sonho da casa própria e o preço ofertado tenha diminuído, o crédito restrito dificulta a situação. Observando esse cenário, muitas construtoras estão oferecendo financiamento próprio para os compradores interessados.
Entretanto, Lúcio de Queiroz Delfino, diretor presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), apresenta que, em geral, as taxas e juros desse tipo de financiamento são maiores do que as apresentadas pelas instituições financeiras. “Além disso, alguns contratos não são de compra e venda com financiamento, mas sim de promessa de compra e venda parcelada (a escritura é outorgada após a quitação integral das parcelas)”, pontua. Essas diferenças denotam que a modalidade de financiamento com a construtora foi criada para suprir a participação das instituições financeiras.
Quanto à inadimplência, ela é maior para esse tipo de financiamento do que os demais, visto que os juros e índices de correção monetária são maiores que o SFH. Além disso, as prestações tendem a aumentar no decorrer dos anos, não há possibilidade de pagamento de parte das prestações com o FGTS e em caso de morte ou invalidez permanente do comprador, não existe cobertura securitária, explica Delfino.  “O ideal é optar pelo financiamento direto com a construtora como uma alternativa temporária, isto é, utilizar esse financiamento somente no período em que o comprador não tem condições de fazer o financiamento bancário”, aconselha.