Análise de crédito 2.0?

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Autor: Felipe Girão

 

O Facebook tem hoje no Brasil aproximadamente 56 milhões de usuários, segundo dados do site Socialbakers, ou seja, esta mídia social abocanha cerca de 74% dos usuários da Internet. O perfil é claro: 32% estão com idade entre 18 e 23 anos e 28% são jovens entre 25 e 34 anos. Pois bem, mas o que isso tem a ver com análise de crédito e cobrança?

 

O fato é que o Facebook já é considerado no Brasil o queridinho dos gestores de RH, sendo utilizado muitas vezes para filtrar os possíveis candidatos a uma vaga. Então, se é possível descobrir, ou pelo menos complementar informações que sirvam para tomada de decisão sobre a contratação de um profissional, porque não se pode utilizar esta rede para o setor de análise de crédito e até mesmo pela busca de informações sobre cobrança de devedores?

 

O Facebook possui um controle de privacidade onde é possível estabelecer se determinadas informações estarão disponíveis de forma pública, apenas para seus amigos, aqueles que você tem entre seus contatos, ou até mesmo de forma personalizada.

 

Diante dessas possibilidades, muitas vezes é possível descobrir informações valiosas sobre um candidato a receber um crédito, assim como de um devedor. Em geral as pessoas não dão valor a privacidade nas redes sociais permitindo com que sua vida social seja exposta na Internet, ora por vontade própria, ora por pura falta de conhecimento.

 

Pela ferramenta é possível também descobrir informações como: número de telefone e e-mail, crenças políticas e religiosas, desgosto pelo trabalho e a própria vida, alianças no trabalho, etc., permitindo assim traçar, juntamente com outras informações coletadas para análise de crédito, um perfil do cliente.

 

Há de ter cuidado também, pois o Facebook é uma fonte de informação nova que muitas vezes não reflete totalmente a realidade dos fatos. Isto porque,muitos podem se mostrar o que não são, mascarando quem são para parecerem pessoas melhores. Isso pode ser utilizado pelo fraudador com bastante destreza se o mesmo quiser. Cabe ao analista cruzar informações de todas as fontes possíveis para tentar validar algumas e desconsiderar outras durante a sua análise.

 

Acredito que nos próximos anos, os sistemas de análise de Score, aos poucos, irão passar a utilizar algumas informações das redes sociais em suas análises. Inicialmente com peso menor, mas à medida que o histórico da base de dados for comprovando perfis de fraudadores e até mesmo de pessoas inadimplentes, essas variáveis irão ganhando peso e serão fundamentais na análise. Por hora, cabe aos analistas fazerem a análise humana dessas informações.

 

Felipe Girão é sócio-diretor da ABC do Crédito.