Cenário é progressivo

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Os casos de dívidas entre os jovens estão cada vez mais numerosos. As facilidades oferecidas pelo mercado de crédito, a falta de cultura de consumo, pouca experiência no uso de cartões e apelo comercial intenso, são alguns dos fatores que contribuem para que eles se endividem tão cedo, segundo Lauri Pedro Bizotto, diretor da BL Serviços de Cobrança. “As pesquisas no mercado, como SPC Brasil e Serasa, indicam que os jovens representam a segunda  faixa de maior inadimplência, chegando próximo aos 20%”, afirma o executivo. 
Muitos jovens estão entrando no mercado de trabalho e têm acesso ao primeiro salário sem preparação, na visão do executivo. “Com pura falta de educação financeira, eles não têm noção de que não pode gastar mais do que recebe”, diz o executivo. Com o crescimento da tecnologia, esse quadro se agrava ainda mais. “A popularização da internet, redes sociais, smartphone e etc, gera anseios e necessidades no jovem”, afirma Bizotto. Por outro lado, esse pode ser um meio das empresas serem assertivas nas ações de cobrança. “As cobranças podem ser feitas por e-mail, SMS, redes sociais. Na abordagem, procurar orientar e mostrar o melhor caminho para o ajuste final, que é o pagamento”, explica.
Para Bizotto, a educação financeira pode preparar o jovem para o mercado de consumo. “A orientação é uma maneira eficaz para dar ao jovem uma noção clara sobre débitos e créditos, suas causas e conseqüências”, diz. Sem orientação, seja da família, da mídia ou das escolas, o executivo acredita que os jovens vão continuar caindo na armadilha do consumo compulsivo. “Eles vão continuar se endividando, até terem uma grande frustração, até entenderem que não deve gastar mais do que ganha, pois assim, estão formando uma camada cada vez maior de pessoas com grande comprometimento na sua renda”, alerta. 
O diretor destaca que as empresas credoras também podem fazer algo em relação a esse problema, como ter uma análise de crédito adequada e, além da necessidade de vender e competir, aproveitar a mídia para fazer campanhas de orientação de uso consciente do crédito. “Pode ser antagônico ter que vender e ao mesmo tempo orientar, mas isso com certeza reverterá positivamente na sociedade. Faço uma analogia  com as empresas que vendem produtos ecologicamente corretos, onde cresce cada vez mais o aumento de pessoas que procuram esse tipo de produto”, conclui Bizotto.