Entre altas e baixas

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Apesar do ano passado ter sido bom no que diz respeito à inadimplência, no segundo semestre de 2014 esse cenário promete mudar. A inflação e a alta taxa de juros devem ser os principais motivos para esse aumento, segundo o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi. “É possível uma nova tendência de alta para inadimplência no segundo semestre. Principalmente por conta de inflação, que está voltando a subir e taxa de juros, que pode continuar subindo”, completa.
Outro problema é que, apesar de mais cauteloso desde o ano passado e evitando ampliar o seu endividamento, o consumidor ainda encontra dificuldade em acertar principalmente suas contas de cartão de crédito, e com o cheque especial. “Quando o consumidor se descuida, ele gera realmente um problema muito sério para conseguir honrar essas faturas de cartão, principalmente aquelas que vão para o rotativo, ou seja, ele paga só o mínimo, o saldo vai para o rotativo, junta com a fatura do próximo mês, e no terceiro mês o consumidor já está inadimplente”, diz Luiz Rabi.
Com o aumento da inadimplência, a tendência é que as taxas de juros para empréstimo também fiquem mais caras do que já estão, gerando um menor crescimento no mercado do crédito, com menor crescimento nas vendas do varejo. “O reflexo deve ser principalmente onde o crédito é importante para que sejam vendidos como, por exemplo, automóveis, eletroeletrônicos, linha branca, enfim, tudo aquilo que se vende parceladamente”, afirma Rabi. No que diz respeito ao mercado de cobrança, esse mesmo aumento nas taxas de juros, dificultará o consumidor na hora de renegociar os débitos, isso porque, com as taxas utilizadas na renegociação de crédito mais caras, alguma prestação de refinanciamento não irá caber no bolso do consumidor.