Está difícil, arrumar a casa!!!

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Nos últimos meses, as pequenas e médias apresentaram alta na inadimplência. O motivo, segundo especialistas, vai desde o cenário econômico atual, até a falta de planejamento das finanças. Muitos empresários ainda enfrentam certas dificuldades em organizar o sistema financeira da companhia, e a ausência de educação financeira contribui diretamente no desempenho dos empreendedores nesse sentido, de acordo com Reinaldo Domingos, educador financeiro. “A sustentabilidade financeira em uma empresa é tão importante como as vendas e produção, por isso a importância do empreendedor buscar por esse conhecimento e se educar financeiramente, tanto no que se refere a sua vida pessoal e familiar como também a vida profissional”, explica. Para evitar esse cenário de inadimplência, Reinaldo acredita que o melhor a fazer é uma “faxina financeira”. “Não se pode continuar o processo, se não houver equilíbrio entre o dinheiro que a empresa fatura e recebe e o que ela paga, nunca se esquecendo de que o negócio da empresa é gerar lucro e não prejuízo”, afirma.
Para Cláudio Gonçalves, professor de administração da Universidade Anhembi Morumbi, essa falta de planejamento, na maioria das vezes, faz com que as empresas recorram aos agentes financeiros para pedir concessão de linha de crédito da maneira errada. “As empresas querem ter acesso ao crédito para resolver um problema causado pela falta de gestão no capital de giro. Em muitos casos não sabem qual é o tamanho da necessidade de capital de giro”, explica. Segundo Gonçalves, os empresários estão sempre dispostos a tomar empréstimos, mesmo que, muitas vezes, essa não seja a melhor alternativa. “Quando surge oportunidade de crédito, os empresários aceitam, mesmo que seja caro e mesmo sabendo que a conta não fecha. É a cultura de empurrar o problema com a barriga até o limite, quando vem a inadimplência”, afirma.
Na opinião de Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP, é necessário ter um planejamento financeiro para que o empresário identifique o seu lucro real. “Ao analisar o faturamento mensal do negócio, é preciso que o empresário também identifique quais são as suas despesas básicas, tais como, funcionários, luz, água, telefone, aluguel, dentre outras, para dar visibilidade do seu fluxo de caixa. Em seguida, é importante que a empresa analise o por quê das dívidas em atraso, inclusive, fornecedores”, salienta. Kelly acrescenta que as pequenas e médias são mais vulneráveis devido as próprias peculiaridades. “Por terem um menor poder de negociação junto aos fornecedores, os pequenos acabam por trabalhar com margens de lucro restritas. Para conseguir se manter no mercado, muitos empresários acabam recorrendo ao crédito no mercado financeiro para honrar com os seus compromissos. Neste ambiente, a redução do poder compra do consumidor com a alta da inflação, por exemplo, acaba por comprometer as finanças da empresa de imediato, pois há, consequentemente, uma redução do consumo”, afirma.
Para James Teixeira, coordenador dos cursos de pós-graduação em controladoria financeira e de investment banking da FAAP, para ajudar nesse cenário, linhas de crédito como BNDES, podem ser interessantes para os empresários. No entanto, as pequenas e médias empresas ainda tem uma cultura de usar capital próprio e não de tomar dinheiro emprestado. “Os proprietários dessas empresas pequenas e médias, lamentavelmente, não tem essa cultura e esse conhecimento, e isso dificulta o acesso ao crédito também”, afirma.
E na sua opinião, o que as PMEs devem fazer para evitar inadimplência? Deixe a sua opinião na enquete do portal Portal Crédito e Cobrança.

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