Falta consciência?

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O número de inadimplentes no Brasil é alarmante e isso não é segredo. Por isso, como forma de evitar prejuízos, o mercado financeiro tem apostado fortemente nas ferramentas de análise para concessão de crédito como o score de crédito. Para Humberto da Silva, coordenador do curso de tecnologia em logística do Centro Universitário Salesiano de São Paulo, adotar essas ferramentas de gestão de risco de crédito é, além de uma obrigação para garantir a liquidez do empreendimento, uma forma de efeito educacional em cima do consumidor. “O cidadão sabe que precisa ter responsabilidade com sua capacidade de endividamento para que mantenha o cartão de crédito, seguro e empréstimos. Senão ele vai pagar mais caro pelo dinheiro. Assim, ou o cidadão tem responsabilidade com seus recursos ou vai ser penalizado pelo mercado”, comenta.
Segundo Silva, não falta transparência sobre o uso do score de crédito ou qualquer outra ferramenta para análise, o que falta é educação financeira.  Para ele, não foi criado na sociedade o entendimento de que crédito é concessão, não é obrigação. “Ninguém é obrigado a pegar dinheiro emprestado, pega se quiser ou precisar. Obrigação é de o cidadão conduzir uma vida financeira saudável. Adquirir apenas aquilo que cabe dentro de seu bolso”, explica.
De acordo com o professor, para a sociedade, a ferramenta tem efeito educativo/punitivo quando falta responsabilidade com o uso do crédito e por isso é preciso reforçar com o consumidor a importância de ser consciente em relação ao crédito. “O mercado como um todo pune o consumidor com a restrição ao crédito. Precisamos instituir no Brasil a aprendizagem de finanças pessoais. Não como uma matéria escolar necessariamente, mas como um tema transversal nos ensinos fundamental e médio. É preciso ensinar a sociedade a gerenciar com eficácia suas finanças para gastar apenas dentro de sua capacidade financeira. E mais, que é preciso poupar mais”, esclarece.