Falta de experiência aliada à inadimplência

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A inadimplência entre os jovens é um problema cada vez mais comum. Em média, eles são 20% mais inadimplentes, segundo Fernando Cosenza, diretor de marketing, inovação e sustentabilidade da Boa Vista Serviços. Para ele, essa realidade não está necessariamente ligada à faixa etária, mas à experiência que o jovem tem com o crédito. “O atual cenário da inadimplência entre os jovens deve-se à menor prática que eles têm com o crédito. Eles se descontrolam mais frequentemente do que o adulto”, afirma Cosenza. 
O especialista destaca que nos últimos anos o crédito cresceu e chegou a mais pessoas. “Um estudo que a Boa Vista fez, apontou que nos últimos cinco anos mais de 30 milhões de pessoas tiveram acesso a crédito pela primeira vez na vida”, reforça. Grande parte desse número são jovens que entraram na vida economicamente ativa e reforçaram esse grupo. “É um Brasil novo onde esse público tem poder de compra também. Com a inflação controlada e mais recentemente com o desemprego em baixa, o jovem se emprega”, justifica.
Os principais fatores relacionados à inadimplência entre esse público, além da falta de prática, é a tendência de fazer compras não planejadas, por conta de ter uma renda própria. “Em muitos casos, o jovem ainda não tem muitos compromissos, como sustentar a casa e filhos. Ajuda o pai e a mãe no sustento da casa, mas ele não é o arrimo da família, então tem mais liberdade para esse consumo não planejado”, diz o diretor. Tanto que o crédito utilizado pelos jovens é, na maioria, de curto prazo, para consumo de roupas, equipamentos eletrônicos e coisas de valores menores, e não para financiamento de veículos e imóveis.
O executivo acredita que a educação financeira é uma das formas fundamentais de combater a inadimplência entre os jovens, mas não basta. É importante uma análise de risco eficaz quando for solicitado o crédito. “Compete às empresas credoras melhorar as ferramentas de análise de risco, inclusive, porque uma análise de risco melhor ou mais bem feita vai reduzir a inadimplência”, conclui Cosenza.