O credor como grande vilão

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Em um país que tem como cultura incrustada a falta de orientação financeira, oferecer crédito sem se preocupar com como as parcelas serão pagas pelo requerente, pode ser um erro fatal para imagem da instituição. O crédito consignado, oferecido aos idoso e pensionista do INSS, pode ser a chispa para desencadear um grave problema social: se um idoso tem apenas essa fonte de renda e a compromete em uma dívida consignada, como poderá lidar com os imprevistos financeiros?

 

O professor Samy Dana, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas, FGV-EAESP, defende que, para fomentar o crédito é preciso educar os possíveis beneficiados por ele. “As pessoas precisam aprender a fazer uma melhor gestão de seus orçamentos para, daí sim, usar o crédito saudável”, afirma.

 

As empresas têm evoluído em sua forma de servir à terceira idade, porém, ainda não estão completamente preparadas, haja vista esse é um fenômeno recente. “De fato já existem produtos e serviços para atender esse novo público, mas, ainda há muito que fazer”, avalia o professor.

 

Em termos de produtos financeiros, um modelo pensado justamente para atender a esta demanda, é o crédito consignado, porém, este é um produto perigoso. “Quando a gente fala de um país que não tem histórico de educação financeira, como é o caso do Brasil, o empréstimo consignado pode ser muito ruim. Por exemplo, a pessoa não tem dinheiro para comer, mas o banco continua descontando as parcelas, isso não só gera um grande problema para o cliente, como também o banco fica no papel do grande vilão da história”, alerta Dana.

 

A evolução da saúde dos idosos brasileiros é evidente à medida em que aumenta a perspectiva de vida e qualidade de vida, mas, para Dana, o mesmo cenário não acontece no âmbito financeiro dos idosos. “Do ponto de vista econômico, a terceira idade ainda precisa pensar em um planejamento financeiro para não sofrer problemas no orçamento quando têm seus recursos mais escassos. O que ainda não acontece no país”, ressalta.

 

Para minimizar os efeitos maléficos, Dana sugere que as próprias empresas concedentes do crédito, serviço ou produto, se responsabilizem por essa educação financeira e forneçam aos clientes na melhor idade, cursos e instruções de gestão financeira básica, assim, serão beneficiado pelo crédito saudável e as empresas podem servi-los sem pesos desnecessários ao prestar também um serviço de educação pública.