O que consome a nova classe C?

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Pela primeira vez a classe C tem acesso ao crédito e à possibilidades de financiamento com parcelas cada vez menores – o que se torna um grande atrativo para uma gama de consumidores que até pouco tempo não tinham acesso a determinados produtos, sobretudo aos atrelados à compra de bens ligados às necessidades de status e auto-estima, geralmente compostos por bens e serviços de maior valor agregado, os quais dificilmente poderiam ser pagos à vista, mesmo com desconto, como móveis, eletroeletrônicos, viagens, automóveis, bicicletas e recentemente imóveis com pequena metragem. No entanto, na análise de Marcos Morita, professor da Universidade Mackenzie e mestre em Administração de Empresas a principal característica no tocante ao consumo de crédito está no valor da parcela, “ou seja, se a mesma cabe dentro do orçamento mensal”.


De acordo com ele, mesmo diante de altos números de inadimplência no Brasil, as empresas não diminuirão suas vendas ou farão propaganda divulgando os perigos do endividamento. “Tomar uma atitude preventiva poderia até soar positivamente em longo prazo junto a este público, porém em curto prazo significaria perda de vendas. Em épocas da economia em desaceleração, esta é uma estratégia praticamente impensável”, observa Morita. 


Para exemplificar esse ponto de vista, o professor cita casos de determinados setores: “Vejamos como exemplo as indústrias de tabaco e bebidas alcoólicas. A segunda pouco faz para reduzir suas vendas, enquanto a primeira somente tomou medidas para conscientizar seus clientes , com fotos de pessoas doentes e mensagens em seus maços, quando obrigadas pelo poder público para tal. Apesar de todos saberem dos malefícios que possam causar. As propagandas e discursos de vendas são utilizados exatamente para fisgar os clientes em compras impulsivas, já que um cliente que sai da loja sem comprar, dificilmente voltará no dia seguinte para efetuar a compra” enfatiza.


Além do tabaco e bebidas alcoólicas, Morita chama a atenção para outros mercados que investem e lucram com o boom da nova classe média brasileira. “As empresas, em praticamente todos os setores, surfaram na onda classe C por praticamente uma década, período no qual criaram e adaptaram produtos e serviços. Refrigerantes de 3 litros, inúmeras marcas de combate, a invasão das tubaínas, dos biscoitos recheados, iogurtes e salgadinhos industrializados, os quais fizeram a alegria e a forma redonda atual da classe C. Nunca se vendeu também tantos móveis, máquinas de lavar e televisores, possibilitando que os preços despencassem nos últimos anos. A explosão de ofertas de viagens para o Nordeste, Porto Seguro e até internacionais para a Argentina, bem como Escolas de inglês e Universidades on-line” aponta e finaliza com uma breve previsão para o futuro dessa nova classe média brasileira. “A velocidade de crescimento desta classe será um pouco mais lenta nos próximos anos, não apenas pela inadimplência, uma vez que terão que limpar os créditos em aberto, mas também pelo ritmo mais lento da economia” conclui.