PJ no vermelho

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O número de empresas inadimplentes bateu novo recorde, revela estudo inédito desenvolvido pela área de big data da Serasa Experian. O levantamento de junho de 2015 apontou que 3,9 milhões de empresas estão negativadas, do total de cerca de 7,9 milhões de companhias do cenário nacional em operação. O número é superior ao verificado em junho de 2014, quando foram registradas 3,5 milhões de empresas em situação de inadimplência. Em março deste ano, eram 3,8 milhões.
O estudo revelou ainda que, do total de companhias inadimplentes, 46% são comerciais (comércio de bebidas, vestuário, veículos e peças, eletrônicos, entre outros), 44% são do segmento de serviços (bar, restaurante, salões de beleza, turismo, entre outros) e 9% são indústrias.
O Sudeste é a região que concentra a maioria das empresas com dívidas em atraso do país: 51,3%. Em segundo lugar aparece o Nordeste, com 17,5%, seguido do Sul (17,0%), Centro-oeste (8,4%) e Norte (5,8%). Quase metade das empresas inadimplentes possuem quatro dívidas ou mais (49,4%). 
Depois estão aquelas com uma dívida em atraso (29,5%) e as empresas com duas pendências financeiras (12,9%). As companhias com três dívidas atrasadas são a minoria (8,3%). A maioria das empresas está inadimplente com apenas um credor (59,3%). Do total, 20,5% têm conta em atraso com mais de três credores e 20,2% apresentam pagamentos pendentes para dois credores.
O estudo também mostrou que as empresas com faixa etária entre 2 e 5 anos são responsáveis pelo maior percentual entre as inadimplentes (37,2% do total). Em seguida, estão as empresas com idade entre 6 e 10 anos (21,8%). O tempo de atraso das dívidas não pagas também foi apurado pelo estudo. O resultado mostra que a maioria das pendências tem entre 1 a 2 anos (20,6%) e 18,1% de 2 a 3 anos de existência. Apenas a minoria (2,6%) registra dívidas com até 30 dias de atraso.
Segundo os economistas da Serasa Experian, o quadro recessivo que se instalou na economia brasileira desde o ano passado afeta diretamente o ritmo dos negócios e, por consequência, a geração de caixa por parte das empresas. Além disto, a crescente elevação dos custos financeiros (taxas de juros mais altas) e de mão-de-obra (salários crescendo acima da produtividade) impõe maiores dificuldades financeiras, para os negócios. A grande maioria das empresas negativadas são pequenas e médias e elas concentram a maior parcela da geração de empregos no Brasil. A falta de caixa para honrar as dívidas também impacta o pagamento de salários, o que ajuda a engrossar as taxas de desemprego.