Prontos para Geração Y?

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O carro do ano, o celular de última geração, o videogame mais moderno, a TV com tecnologia de ponta… As tentações são muitas para os jovens. Com o “empurrãozinho” do mercado publicitário, buscam adquirir esses produtos para obter “status” e acabam entrando em dívidas as quais nem sabem como sair. Mas, e agora? Como negociar essas dívidas?
Para José Augusto de Rezende, da JA Rezende, a abordagem com esse público deve ser diferenciada. Muitas vezes endividados pela primeira vez, não sabem como funciona um processo de negociação com uma empresa de cobrança. Nessa hora que entra o bom treinamento dos operadores. “O operador deve se colocar como um facilitador. Entender o problema do cliente, sua situação, colocando-se, às vezes, ao seu lado, a fim de fechar um bom negócio para ambas as partes e que seja duradouro, ou seja, que todas as parcelas sejam cumpridas. O negociador deve ser transparente e confiável, só assim conseguirá a atenção e disposição do cliente em pagar”, afirma Rezende. 
Além do bom treinamento dos operadores, é importante que as propostas da negociação sejam concretizadas e que caibam no orçamento do cliente, afinal, em muitos casos, esses jovens estão em seu primeiro emprego e ainda têm o orçamento baixo. “Para esse público é preciso informar quais são as opções de renegociação disponíveis e os benefícios de cada uma, procurando sempre identificar a solução que mais se adequa ao fluxo de caixa de cada cliente. Mais do que ofertar, a orientação é o ponto crucial na negociação, visto que não adianta selar um compromisso com o cliente que o mesmo não poderá cumprir”, afirma Nelson Augusto Martos, sócio-diretor da Nova Quest. 
Na hora da negociação com a geração Y, a tecnologia é outra grande aliada das empresas. Cada vez mais conectada, e com o celular em mãos quase 24 horas por dia, as redes sociais são importantes ferramentas auxiliadoras na hora de cobrar, segundo Martos. “Vimos um significativo aumento da procura por nossos canais em redes sociais nos últimos anos. Muitos clientes entram em contato via Facebook, postando em nossa página detalhadamente sua situação e solicitando ajuda”, afirma. 
Neste momento, entra em jogo a tecnologia. As empresas de cobrança têm aproveitado para investir mais em aplicativos próprios para cobrar os clientes, como diz José Augusto. “Nossa empresa desenvolveu duas ferramentas em nosso segmento. A primeira é voltada à negociação online através do smartphone, em qualquer lugar onde este cliente se encontrar. O outro aplicativo permite ao nosso operador contatar e negociar com os clientes através do WhatsApp, de forma rápida, cômoda e de baixo custo”, explica Rezende. Para o diretor, como o comportamento dos jovens é diferenciado, a forma de cobrar também deve ser. “A geração Y não quer mais falar. Ela quer teclar. Esses jovens não usam mais o celular para falar, nem para mandar SMS. Eles trocam mensagens instantâneas e acessam suas redes sociais”, finaliza.
ENDIVIDADO POR QUÊ?
A ânsia em consumir e vontade de ter tudo que há de novo no mercado é o principal motivo de endividamento dos jovens. Afinal, com toda essa pressa, eles deixam de lado o planejamento financeiro. Para Rogério Nakata, planejador financeiro da Economia Comportamental, o motivo disso é falta de educação financeira, que deveria ser ensinada nas escolas desde a infância. “Essa é com certeza a matéria mais importante que deveria ser ensinada nas escolas, como se fazem em países como Estados Unidos, Alemanha e Japão. Porém, existe um dilema: como os professores poderão ensinar uma matéria que eles mesmos desconhecem e que não tiveram qualquer formação para isso? Então, cabe aos pais levarem essa educação aos filhos, mas, muito mais que ensinar, é dar o exemplo para que eles possam se tornar adultos financeiramente mais educados”, afirma.
Para Fabio Pina, economista da FecomercioSP, no entanto, há uma diferença entre os motivos de endividamento desses jovens. Aqueles com salários mais altos são motivados pelo desejo de consumir tudo o mais rápido possível, enquanto entre os mais humildes, o principal fator é a baixa renda, ainda que estes também sejam apressados. “No caso dos compulsivos, não foi a renda baixa que levou ao colapso financeiro, e sim os gastos descontrolados. No caso de famílias mais humildes, é a renda insuficiente para o básico que leva ao endividamento exagerado e daí à inadimplência”, afirma. 
Por outro lado, quando se vê endividado, a geração Y passa a ser mais responsável com seu dinheiro. “Esse tipo de endividamento é positivo, pois gera retornos e exige disciplina. O endividamento pelo consumo frívolo é inimigo do longo prazo, e é assim que esses jovens devem pensar antes de caírem em tentação”, comenta o economista. A disciplina financeira pode, portanto, ajudar essa nova geração apressada e compulsiva a se organizar nos gastos, evitando, assim, consumo exagerado e dor de cabeça, além de proporcionar uma vida financeira mais confortável no futuro. 
Confira as matérias exclusivas do especial:
Preparo dos operadores ainda é principal forma de conseguir negociação eficiente com jovens
Para especialista, educação financeira é forma mais aconselhável de evitar inadimplência entre os jovens
Bom treinamento de operadores e uso das redes sociais auxilia na hora de cobrar os jovens
Preocupados em consumir, jovens deixam de lado planejamento financeiro