Varejo foge do risco

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O uso crescente de cartões de crédito no varejo, em substituição ao pagamento por meio de cheques ou compras financiadas por instituições financeiras, está levando a uma mudança na contabilidade das empresas de varejo, que reduziram o total de provisões para cobrir a inadimplência dos clientes. A constatação é da KSI Brasil, auditoria e consultoria do segmento do middlemarket.

 

“Com parte significativa das vendas de mercadorias no varejo sendo realizada por meio de cartões de crédito ou débito, a inadimplência passou a ser um problema dos bancos e administradoras de cartão, e não mais das empresas de varejo”, afirma Ismael Martinez, sócio-diretor da KSI Brasil, em estudo realizado pela consultoria.

 

O sócio diretor da KSI Brasil cita o exemplo de uma grande empresa varejista, em que 80% das compras feitas hoje em sua rede de lojas são realizadas por meio de cartões de crédito e de débito e outros 20%, pagas em dinheiro ou cheque. Até 2006, 6,5% das vendas dessa empresa eram feitas por meio de cheques, com inadimplência média de 2,0%. Em 2007, a rede iniciou uma campanha intensa nas lojas visando a migração das vendas em cheques para cartões de débito e crédito, o que reduziu pela metade as vendas com cheque. Posteriormente, lançou o cartão de crédito próprio e restringiu ainda mais as vendas com cheques nas lojas de maior inadimplência. “Hoje esta rede varejista reduziu quase a zero as perdas por inadimplência e não precisa mais realizar provisão para devedores duvidosos”, em sua demonstração contábil salienta Martinez.

 

Com a eliminação das perdas sobre o recebimento, foi possível também ter  uma melhor gestão do fluxo de recebíveis, com o planejamento adequado do recebimento da carteira de clientes. “No momento em que a empresa varejista deixa de arcar com o risco de crédito e de inadimplência em sua carteira de recebíveis, melhora seus resultados financeiros, como ocorreu nesse caso”, acrescenta o sócio diretor da KSI.