Virando a mesa para escapar da falência

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Há mais de 30 anos no mercado, a Expansão Prestação de Serviços aparentemente sempre apresentou um fluxo de caixa saudável. No entanto, após uma forte crise e um caixa em decadência mensal, a empresa chegou a uma dívida de R$ 95 mil. Diante desse cenário toda a gestão precisou ser repensada e reestruturada. “O primeiro passo foi fazer um mapeamento dos processos operacionais e financeiros. A partir daí percebeu-se que perderam grandes oportunidades na operação e também que a falta de um planejamento financeiro e um controle do fluxo de caixa estava matando o negócio”, relembra Leonardo Silva Leandro, diretor da Expansão Prestação de Serviços.

 

Após a implementação dos novos métodos, a empresa conseguiu não só se reerguer como também aumentar o lucro em aproximadamente R$ 50 mil – e hoje presta serviços para grandes empresas como Azul Linhas Aéreas, Unicontrol Internacional, Kramer, entre outras.

 

Em entrevista exclusiva ao Portal Crédito e Cobrança o diretor elenca os problemas enfrentados e as ações tomadas para sair do vermelho:

 

Os problemas

Portal: Qual era a situação da empresa inicialmente? Quando começou apresentar sinais de “caixa em vermelho”?

Leonardo: A empresa tinha um faturamento mensal considerável, o que acabava mascarando os problemas financeiros. Estava focada em um único cliente e não havia controles do fluxo de caixa estabelecidos. Não havia planejamento financeiro e operacional. Como resultado: mês a mês o caixa começou a dar sinais de queda. Porém, o problema ficou mais sério em dezembro de 2009, principalmente com a mudança no escopo do trabalho com o principal cliente, o que ocasionou uma redução considerável no faturamento e seus idealizadores chegaram ao ponto de avaliar se valia a pena ou não continuar com o negócio.

 

As soluções

Portal: Qual foi o plano de ação para reverter o quadro? Como foi aplicado?

Leonardo: Redesenhamos novos processos operacionais e assim otimizamos o tempo ocioso da equipe com reaproveitamento de pessoas em outros locais de trabalho. Simultaneamente iniciamos um planejamento financeiro com definição de metas de gastos e receitas bem como implantamos um controle de fluxo de caixa.
Tudo isso demorou mais ou menos três meses pra ser implantado. Ao final, conseguimos colocar as contas em dia, eliminando ineficiências e gerando caixa. Efetivamente saímos do vermelho 12 meses depois de implantadas essas ações.

 

Portal: A empresa recorreu a algum tipo de financiamento? Qual e por quê?

Leonardo: Não tomamos nenhum tipo de recurso externo, pois identificamos que, com os ajustes em nossa operação e um maior controle financeiro, poderíamos sair daquela situação. Talvez contrair uma dívida para saldar outra não fosse a melhor solução.

 

Portal: Quanto foi investido para reverter a situação?

Leonardo: Foi investido muito tempo, dedicação e disciplina, pois tivemos que apertar todos os gastos principalmente os supérfluos. Chegamos neste ano a não entregar aos funcionários cesta de Natal. Todos entenderam a situação, afinal não receberam a cesta, mas seus postos de trabalho foram mantidos. Não se comprava um clip se não fosse necessário.

 

Portal: Quais foram os resultados?

Leonardo: Hoje podemos dizer que as contas estão equilibradas e já temos até investimento em marketing.

 

Portal: Que ações são tomadas hoje como medidas de precaução para evitar uma nova crise financeira?

Leonardo: Hoje o que nos mantém saudáveis é continuar com a política de controle de gastos e revisão de processos constantemente. Temos também uma política clara e forte de controle dos custos e desperdícios.

 

Portal: Que lição a empresa tira da situação vivida?

Leonardo: Aprendemos que “o que não se mede não se administra”. Não se brinca com números. É preciso conhecer todos os custos, verificar sempre seus processos em busca de oportunidades continuamente. Outra coisa que ajudou muito foi conhecer profundamente o negócio, mergulhar na operação e nas finanças. Esse é o segredo.