O mundo sem internet é invisível?

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O Mundo Sem
internet é Invisível?

 

“Vida é o que
acontece enquanto olhamos o celular”.

 

Em maio de 2018, o Ibope Conecta
divulgou uma pesquisa apontando que 95% dos brasileiros conectados veem TV
enquanto utilizam a Internet. O meio mais utilizado para acesso a rede é o
smartphone em 81% dos casos. Uma pesquisa mais recente, desta vez divulgada pelo
IBGE – aponta que o número de internautas brasileiros cresceu 10 milhões em um
ano – 181 milhões de pessoas, quase 70% da população, se considerarmos usuários
acima de 10 anos de idade.  O maior crescimento
se deu entre os usuários com mais de 60 anos, com uma taxa de 26%.

Na área urbana, o número de
homens e mulheres que utilizam a rede é praticamente o mesmo: 75%, com ligeira
vantagem para as mulheres. Na área rural, a diferença é um pouco maior:  42% de mulheres contra 36% de homens
conectados. Outras pesquisas indicam que em média 80% dos brasileiros passam
mais de 9 horas na internet por dia e 35% checam o celular a cada 10 minutos
(esta sou eu….).

Tudo isto para dizer que de uma
forma ou outra, estamos conectados o tempo todo. É como se as coisas não
aconteceram na internet, provavelmente não aconteceram na vida real ou teriam
virado notícia (fake ou não…). É um processo muito complicado. E só analisarmos
papel da rede nas eleições ou em fatos que mobilizam a sociedade em geral e podemos
ter uma ideia de como a comunicação – ou a falta dela  – impacta a nossa vida.

O problema são as viagens, férias…tão
boas e necessárias, mas complicadas quando temos a sensação de que por algum período
ficaremos offline. Sair de nossa “área de cobertura” pode ser uma fonte de estresse,
ficar sem “comunicação” é algo que nos enche de medo, porque a internet nos
liga ao mundo e por consequência nos traz a sensação de fazer parte de algo. A
comunicação em aspas não significa isolamento total, afinal, estamos nos
comunicando de uma forma ou outra, mas aquela que nos liga ao mundo virtual é de
longe a mais valorizada por todo mundo que tem um smartphone. Parece que é lá
que o mundo acontece.

Existe até uma doença para explicar
o desespero de ficar sem acesso: é a nomofobia, uma palavra que vem do inglês e
significa “no more phone phobia“, a fobia
de ficar sem aparelho ou conexão. Nossa, que medo! Posso dizer por experiência
própria vivida recentemente. Estive fora por alguns dias com limitadíssimo
acesso a Wi-Fi e por limitadíssimo, quero dizer caro, porque os custos de internet
em alto mar são proibitivos e decidi evitá-los. Poderia ter comprado um chip,
mas o medo de perder meus “preciosos” dados me impediu. Bem, é como estar no
cenário do filme “Náufrago”, você sabe que as coisas estão acontecendo, mas
você não faz parte delas, me senti meio isolada, confesso. É uma sensação de
abandono, coisas para Freud explicar.

O ambiente virtual nos torna reais,
por incrível que pareça, nele não somos invisíveis. Talvez não possamos mais
voltar no tempo, a comunicação como era não acontecerá mais, não escreveremos
mais cartas, não faremos cálculos, e nem ligaremos para as pessoas para saber
como estão, já que todas estão online, porém, mas é preciso refletir sobre o
assunto, porque qualquer dependência não é saudável. Além do mais, precisamos
saber do jeito “analógico” como andam nossos amigos, família sem precisar de chats,
messengers,  inbox,  e-mails e outros atalhos virtuais.  Legal seria falar um oi, tomar um café e bater
um papo, tudo ao vivo e em cores, como nos velhos tempos.

Antes eu dizia “depois do café eu
me expresso”, hoje eu digo “sem Wi-Fi eu não me expresso”.  Algo como “estou conectada, portanto existo”. By
the way, hora de checar o telefone…

Um beijo

Gladis

 

Profissional de marketing e comunicação e fundadora do Grupo Mulheres de Negócios. Atuou em empresas de TI como Scopus, Sun Microsystems e PTC. É formada em Letras, com Pós-Graduação em Jornalismo, Comunicação Social e Negócios. Autora do livro "O Homem que Entendia as Mulheres", publicado pela AllPrint Editora (2005).

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